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  • 23 de nov de 2016

    Na ética cristã ou no “jeitinho brasileiro" - onde nos identificamos? (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília – DF

    Um estudo inédito realizado pela consultoria BrandAnalytics, empresa ligada à Millward Brown Optimor, um dos maiores grupos de pesquisa do mundo, revela o que os brasileiros pensam do País. Se o Brasil fosse “uma pessoa”, a principal característica, aquela que se vê logo de cara, seria a desonestidade. 

    Segundo Dulce Critelli, professora de filosofia da PUC de São Paulo, os resultados da pesquisa demonstram que grande parte da população não confia nem no País nem no compatriota. No clássico “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, ao falar do “homem cordial” destaca igualmente o que chama de “personalismo” do cidadão brasileiro. No Brasil, diz Holanda, as pessoas cultuam o mérito pessoal (o “cada um por si”), em vez do trabalho coletivo. [1]

    Isso realmente corresponde à realidade? Olhemos para o lado e pensemos bem: a maioria das pessoas de nosso convívio é desonesta? Elas querem levar vantagem sobre nós? Ou como se diz: querem nos “passar a perna”, nos enganar, ludibriar, “dar o cano” ? 

    Desde a Proclamação da República, construida sob os anseios dos valores da ordem e do progresso, até os nossos dias, ainda não nos ajustamos rigorosamente à honradez e à honestidade. 

    Os brasileiros (ressalvadas as honradas exceções) necessitamos modificar a cultura da desonestidade, a fim de que nossa pátria progrida em ordem. Até porque, enquanto prosseguirmos conectados à tradição do “corrompido jeitinho”, o futuro desta pátria estará comprometida pela desordem e decadência geral. 

    No cinismo das vis tendências desonestas trouxemos abaixo alguns cenários e práticas dos trágicos “jeitinhos” , a fim de que avaliemos se nos identificamos ou não como protagonistas. 

    Vejamos, são os conterrâneos que furam a fila de carros em frente do colégio para pegar os filhos ou que colocam a viatura na vaga reservada para deficientes e idosos nos estacionamentos dos hospitais, supermercados, shopping. 

    Compatrícios que furtam toalhas, roupões, talheres e outros utensilhos de hotéis, clubes, repartições públicas etc.; há os que surrupiam sinais de Internet e tv a cabo do vizinho; que oferecem dinheiro (propina) para subornar o policial, a fim de fugir da multa; que não emitem nota fiscal ao cliente; que não declaram Imposto de Renda; que bolam doenças para fraudar o INSS.

    Há os conterrâneos que falsificam carteirinha de estudante (para meia entrada); que assinam a “folha de pontos” do colega; que compram produtos “pirateados”; que não restituem troco recebidos a maior; que batem o ponto pelo colega; que compram diplomas falsos para participação em concursos públicos e, mais comum ainda, há os que recorrem a falsos atestados médicos, para justificar ausências mais prolongadas no trabalho. 

    Não haverá futuro promissor para um país com uma sociedade assim estruturada. É urgente uma higienização moral, aproveitando o momento histórico que estamos atravessando no Brasil, para que sejam exaltados os valores da Ética Cristã e consagrada a honestidade. 

    É inconcebível um espírita desonesto. Um seguidor fidedigno do Cristo e de Kardec tem que ser fiel ao Evangelho e aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõem e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, principalmente para um “espírita cristão”(*). 

    Cabe-nos viver e exemplificar a honestidade no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações, consultando sempre a consciência, onde estão inscritos os códigos da lei de Deus. 

    O Brasil será um país bem-sucedido se cada compatriota banir da própria cultura o conspurcável “jeitinho brasileiro”.

    (*). Hão “espíritas” que não se consideram cristãos

    Referência:

    [1] Disponível em http://istoe.com.br/360834_O+DESENCANTO+COM+O+BRASIL/ Acesso 23/11/2016

    19 de nov de 2016

    Eras esperançosas! Brasil -corrupções ancestrais e as novas gerações (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Brasília.DF

    Nestes inquietantes tempos de desonra moral desabando sobre o povo brasileiro, em que políticos geram supostas manobras sorrateiras, dispondo rebaixar as atuais estruturas investigativas no âmbito policial e judicial, é urgente permanecermos em estado de vigília e oração ininterrupta em favor da paz social no Brasil. 

    Mas a despeito do preocupante cenário social, político e econômico, enxergamos um horizonte promissor de uma nova geração que vem surgindo em nosso país composta de executivos, professores, médicos, advogados, engenheiros, historiadores, delegados, procuradores e juízes, todos trabalhando com entusiasmo e intrepidez pela consagração da ética em nosso país. Isto nos pacifica sob a expectativa decisiva de transformação dos valores morais que tem manchado esta nação dilacerada pela corrupção destruidora. 

    Tal conjuntura nos envia ao último capítulo do livro A Gênese de Allan Kardec. Aí arranjamos algumas adequações para fins de comparação com a realidade supra descrita. Vislumbramos uma nova geração de brasileiros, desenfaixados dos detritos do velho sistema corrupto. Observamos pessoas mais moralizadas e possuídas de ideias e de sentimentos muito diferentes da velha geração que está sendo deportada para mundos afins. [1]

    As sociedades se modificam, como já se transformaram noutras épocas, e cada transformação se distingue por uma crise moral. Contudo, nessas ebulições sociais, a fraternidade deve ser a pedra angular da nova ordem social; mas, inexiste fraternidade real, sem o avanço moral. Somente o progresso moral pode fazer que entre nós reinem a honestidade, a concórdia, a paz e a fraternidade. 

    A velha geração (daqueles atolados nas arapucas da corrupção) que está se despedindo (da Terra) levará consigo seus erros e estragos sociais; a geração que surge, imprimirá à sociedade o progresso moral que assinalará a nova fase da evolução geral no Brasil e no mundo.

    Essa fase já se revela atualmente no Brasil, em razão do conjunto de práticas revolucionárias no combate à improbidade, à imoralidade, à falcatrua através de efetivas e duras punições. Nesse contexto, os espíritas estamos sendo convocados para irradiarmos compreensão, amor e paz em favor dos cidadãos de bem, a fim de facilitar o movimento de regeneração em nosso Pais. 

    Grande, é ainda o número dos ímprobos; que nada poderão contra a ética da nova geração que surge. Os desonestos irão desaparecer aos poucos, mas ainda defenderão palmo a palmo os seus obscuros interesses de poder e tramoias. 

    Não nos enganemos, haverá, um embate moral inevitável, desigual da geração degradada e já envelhecida, a cair em frangalhos, contra o futuro da nova geração de seres audazes e incorruptíveis. Hoje no Brasil vemos com clareza quem é quem nesse cenário. 

    Para que haja paz em nosso país, preciso é que somente a povoem espíritos bons, encarnados e desencarnados. É chegado o tempo das grandes debandadas dos que praticam o mal pelo mal. Serão excluídos, para não ocasionarem perturbação e obstáculo ao progresso. 

    Após a desencarnação, muitos irão expiar em mundos inferiores, outros em raças terrestres ainda atrasadas. A época atual é sem dúvida de transição; confundem-se os personagens das duas gerações. Assistimos à partida de uma e à chegada da outra. Têm ideias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem. Pela natureza das disposições morais, porém sobretudo das disposições intuitivas e inatas, cabendo-lhe (nova geração) fundar a era do progresso moral. 

    A nova geração se distingue por coragem, inteligência e talentos precoces, tem sentimento inato da honestidade. Já os corrompidos ainda trazem a maldade, a malícia, a mentira. Em face disso têm de ser expurgados porque são incompatíveis com o império da honradez, da fraternidade e porque o contacto com eles (os corruptos e corruptores) constituirá sempre um sofrimento para os bons. 

    Quando o Brasil se achar livre dos desmoralizados, os homens de bem caminharão sem óbices para o futuro melhor. Opera-se presentemente um desses movimentos gerais dos tempos que chegaram, destinados a realizar uma higienização e remodelação moral da sociedade brasileira. 

    Referência bibliográfica:

    [1]            Kardec, Allan. A Gênese, cap. 18, RJ: Ed. FEB, 1977

    12 de nov de 2016

    A sexualidade ante o imperativo da educação, da disciplina e do emprego digno (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF

    Atualmente estamos atravessando períodos instáveis na área da sexualidade e do sentimento humano. Em um artigo publicado no Mail, David Levy, autor de ‘Love and Sex With Robots’ (Amor e sexo com robôs, em tradução livre), diz: “Os robôs sexuais serão muito semelhantes aos humanos em tamanho e aparência. Eles terão órgãos genitais como os dos humanos, e será possível práticas sexuais com eles de acordo com a orientação e as preferências sexuais do dono.” “As máquinas em questão estão sendo desenvolvidas pela empresa Abyss Creations em sua fábrica na Califórnia. O preço estimado para o varejo é de U$ 15 mil (cerca de R$ 48 mil). [1]

    Noticia-se horríveis casos de pedofilia, zoofilia, necrofilia, febofilia, pederastia, entre outros intermináveis tipos perversões sexuais. Atualmente há ativistas que copulam literalmente com a natureza para “salvá-la” da destruição(!...?...) Isso mesmo! Apareceu uma nova modalidade de comportamento sexual, o ecossexualismo, que está se disseminando especialmente no hemisfério Norte. 

    Narram que os ecossexualistas praticam o coito com árvores. Se penduram desnudos nos galhos e arriscam chegar à descarga orgástica. Se auto-excitam debaixo de cachoeiras ou rolam no chão, ou na grama até atingirem o ápice do prazer.

    Fomos informados sobre um tipo de relacionamento afetivo em regime de poliamor ou seja, os poliamantes praticam, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. O praticante defende a possibilidade de se estar envolvido de modo “responsável” em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente.

    Existem os “relacionamentos abertos”, isto é relação afetiva “estável” (habitualmente entre duas pessoas) em que os participantes são livres para terem outros parceiros. Se for casado, se diz que é um “casamento aberto”. Parece que que, o “relacionamento aberto” e o “poliamor” não são a mesma coisa. Em termos gerais, afirma-se que "relacionamento aberto" refere-se a uma não exclusividade sexual na união, enquanto o poliamor envolve a extensão desta não exclusividade para o campo afetivo ao permitir que se criem laços emocionais exteriores à relação primordial com certa estabilidade.

    Sabemos que o comportamento na área da sexualidade é essencial para o desenvolvimento individual, interpessoal e social. Também sabemos que os direitos sexuais são direitos humanos universais baseados na liberdade inerente, dignidade e igualdade para todos os seres humanos. 

    Conhecemos as leis humanas e sabemos do direito à liberdade sexual, à autonomia, à integridade, à segurança do corpo, à privacidade, à igualdade, à expressão sexual, à livre associação sexual, às escolhas reprodutivas livres e responsáveis, à informação baseada no conhecimento científico, à educação, à saúde sexual. 
    Não estamos aqui para lançar censuras a tais “direitos”, mas cumpre-nos lembrar e advertir que no Livro do Levítico, a Lei de Moisés constrói o estatuto referente às práticas sexuais, determinado as proibidas, as abomináveis e as impuras [2] Sem embargo, contudo, compreendemos que as Leis de Deus estão inscritas na consciência de cada um.

    Sobre o tema sexualidade Emmanuel desenvolve conceitos doutrinários a fim de explicar que as teorias, ao redor do sexo, foram objeto de sensatas explicações por Kardec no Século XIX, na previsão dos choques de opinião, em matéria afetiva, que a Humanidade de agora enfrenta. O mentor de Chico Xavier sintetizou todas as divagações nas regras seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. [3]

    Portanto, sem educação, sem controle, sem disciplina, sem emprego digno, será enganar-nos, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, até porque o emprego do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. 

    Admoesta o autor de Vida e Sexo que em matéria de comportamento sexual todos nós nos achamos muito longe da meta por alcançar. Se alguém nos parece cair, sob enganos do sentimento, devemos silenciar e esperar. Se alguém se nos afigura tombar em delinquência, por desvarios do coração, devemos esperar e silenciar. [4]

    Devemos calar as nossas possíveis acusações, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros. Não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. [5]

    Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as nossas tendências mais íntimas e, após verificarmos se estamos em condições de censurar alguém, escutemos, no âmago da consciência, o apelo inolvid

    3 de nov de 2016

    Hillary, Trumpp , Putin, seria plausível guerra de extermínio? Na dúvida, oremos!! (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília.DF

    Hoje assistimos dois candidatos à presidência dos EUA com os mais preocupantes discursos. Hillary afiança que manterá o direito ao aborto. Trumpp, conquanto contra o aborto, promete construir um muro de proteção na fronteira americana. Pronuncia que admira Putin, que tem um forte controle na Rússia.

    Trumpp é apaixonado pelas guerras, incluindo as armas nucleares. Promete instituir leis e ordens “fortes”, “rápidas” e “justas”. Garante que suspenderá a imigração de zonas do mundo onde existe um histórico comprovado de terrorismo contra os Estados Unidos, e afirma que pode consertar isso rápido.

    Nosso planeta jaz na UTI. Os governantes atuais permanecem moral e espiritualmente gravemente enfermos. Nesta semana, a Rússia mostrou um novo míssil nuclear que supostamente poderia devastar uma área do tamanho do estado do Texas, nos Estados Unidos.

    No início de outubro de 2016, 40 milhões de cidadãos russos participaram do maior “teste” nuclear desde o fim da Guerra Fria,usando máscaras de gás e se preparando para fugir para bunkers. As tensões entre a Rússia e os Estados Unidos têm se mantido altas desde que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções econômicas ao país devido às ações da Rússia na Ucrânia em 2014.

    Neste mês de outubro, o Zvezda, um serviço de TV nacional controlado pelo Ministro da Defesa russo, disse: “Esquizofrênicos dos Estados Unidos estão afiando suas armas nucleares para Moscou.” Os laços entre Washington e Moscou se deterioraram ainda mais recentemente, após o colapso do cessar-fogo na Síria e a intensificação dos bombardeios em Aleppo por aeronaves sírias e russas.

    O General Richard Shirreff, comandante supremo da OTAN na Europa entre 2011 e 2014, descreveu a guerra nuclear com a Rússia em 2017 como algo “inteiramente plausível”. Cristina Varriale, do Royal United Service Institute (RUSI), disse ao The Sun que Putin está “pronto” para colocar as forças nucleares russas em alerta.

    Não desejando ser pessimista, porém na condição de historiador não posso deixar de refletir que há menos de 100 anos o mundo experimentou duas guerras devastadoras na Terra.

    Em A Caminho da Luz Emmanuel adverte que as teorias sociológicas continuam seu caminho, de extremismo, sem embargo das revelações do além-túmulo que descem às almas, como orvalho imaterial, preludiando a paz e a luz de uma nova era.

    A Europa e o Oriente formam um campo extenso de agressão e terrorismos. “Em face de tanto extremismo, onde estão os valores morais da Humanidade? As igrejas estão amordaçadas pelos interesses de ordem econômica e política. Somente o Espiritismo executa o esforço tremendo de manter acesa a luz da imortalidade. Porém, o esforço do Espiritismo é quase superior às suas próprias forças, e o mundo não está à disposição dos ditadores terrestres.” [1]

    Espíritos falam-nos de uma “nova reunião da comunidade das potências angélicas da qual é Jesus um dos membros que se reunirá, de novo, pela terceira vez, na atmosfera terrestre (...), decidindo novamente sobre os destinos do nosso mundo.” [2]

    Em nome do Evangelho, se perpetram todos os absurdos nos países ditos cristãos. “Porque a civilização ocidental não chegou a se cristianizar. São chegados os tempos em que as forças do mal deverão abandonar as posições de domínio. Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, povos instáveis e inconscientes, guerras inglórias e organizações seculares passarão com a vertigem de um pesadelo.” [3]

    Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos, a superioridade européia desaparecerá para sempre, como o império romano, entregando à américa o fruto das suas experiências, com vistas à civilização do porvir.

    Era véspera da Segunda Guerra Mundial quando Emmanuel avisou que “a noite não tardaria e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção.” [4]

    Que Jesus nos resguarde nestas horas decisivas do mundo atual!

    Oremos!

    Referências bibliográficas:

    [1]           Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, Cap. 24, RJ: Ed. FEB 1977
    [2]           idem
    [3]           idem
    [4]           idem

    2 de nov de 2016

    TEMPO CURTO PARA DEMANDA DO ATENDIMENTO FRATERNO

    Ola muita paz e harmonia
    Prezado irmão Jorge Hessen

    Antes demais quero agradecer a prontidão e generosidade da ajuda.
    Amigo o Grupo de Atendimento que temos tem alicerces de acordo e estrutura de acordo com diretrizes do Atendimento fraterno.Temos recepção, que passa pelo preenchimento de dados e orientações. Eu sou o orientador do Grupo, procuramos fazer um trabalho serio e responsável à luz do Espiritismo.
    Inclusive este mesmo Grupo faz Assistência em hospital da cidade
    A nossa dificuldade Amigo prende-se com o tempo, procuramos utilizar mais ou menos 20 a 25 minutos pelo atendimento, mas o que dificulta é o número de pessoas que aparece para atender e claro não vamos deixar por atender.
    A principal duvida é ;os Irmãos que nos apoiam espiritualmente continuam a dar-nos apoio quando ultrapassamos o tempo de trabalho para aqueles dia? No meu entender e seguindo apoio Livro dos Mediuns item 333, os irmãos continuam ajudar-nos e a proteger-nos, pois entendem que acima de tudo quando a entrega à ajuda é dentro dos parâmetros do amor e caridade que a mesma ajuda continua.
    Porém existem orientadores de outros sectores que dizem que não.
    Daí ter pedido seu apoio se possivel para confirmar esta minha opinião.
    Agradecendo mais uma vez.
    abraço  fraterno
    Tomas


     


    Jorge Hessen 

    Caro Tomas,
    Na condição de fundador  de um centro espírita em Brasília vide link http://paespirita.blogspot.com.br/2016/11/primeiro-em-louvor-vida-encerrou-as.html e por experiência própria  informo-lhe que na instituição também fazemos os atendimentos fraternos. Para essa finalidade convidamos os voluntários que se dispõem a  receberem os pacientes, para ouvi-los e orientá-los. 
    Não tenho a menor dúvida que os Bons Espíritos, envolvidos na tarefa , conservam-se presentes nos atendimentos o tempo que se fizer necessário, até mesmo nos eventuais  acréscimos do tempo previsto. 
    Entretanto, em nossa instituição não há tanta procura de pessoas quanto às que me descreve aí na sua instituição. Nesse caso , é importante realizar uma avaliação sobre a  viabilidade do trabalho ao público, até porque se há uma concorrência intensa de “necessitados”,  indagamos: será que nos arredores do seu centro não há outras instituições espíritas que façam o Atendimento Fraterno para que parte dos pacientes sejam encaminhado para lá ? 
    Creio que a federação da sua região poderia fornecer endereços de outras casas espíritas (menos distantes) onde as pessoas poderiam buscar o apoio espiritual. 
    É muito importante que seja melhor avaliado o período   cedido ao público para os atendimentos fraternos. Se for necessário e  possível que se providencie  remanejamento dos horários, ou até mesmo ampliação dos dias de atendimento fraterno.
    Se há desmedida demanda  por procura de atendimento fraterno, é importantíssimo também buscar-se uma solução (digamos) administrativa , a fim de não se incorrer numa espécie de  desordem nos atendimentos no centro. Os Espíritos não nos desamparam, todavia esperam de nós as harmoniosas soluções para tais ou quais situações emergenciais. 
    Aqui no Posto de Assistência Espirita, todas as questões de fundo doutrinário e ou administrativos mais complexos passam obrigatoriamente pela discussão e resolução do conselho diretor da casa. Eis aí uma sugestão:  que seja levada para a diretoria a questão (tempo de atendimento e números de pacientes/dia) a fim de se buscar saída sem prejuízos dos trabalhos com o devido ajustamento com a realidade.

    Eis aqui um pormenor importante: se os Espíritos entenderem a que a extensão de quaisquer entrave doutrinário e ou administrativo são insuperáveis por ausência de adaptações com os serviços propostos , nesse caso, eles , os Benfeitores deixam de se envolver diretamente e tenderão a se afastarem temporariamente do grupo. 
    Tudo são aprendizados, porém é de pouca valia o cultivo exclusivo da fé sem respaldo na lógica e no bom senso naquilo que fazemos em nome do bem.






    28 de out de 2016

    A “psicoscopia”, diante da ciência atual que “lê” e “interpreta” as emoções humanas (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    Brasília.DF

    Pesquisadores do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) desenvolveram um sistema que detecta o estado emocional de uma pessoa por meio de sinais wireless (sem fio). Trata-se do EQ-Radio, um router wi-fi que tem a capacidade de “ler” as emoções. Através dos sinais de radiofrequência, o router consegue captar padrões do ritmo cardíaco e da respiração. O aparelho afere o estado emocional das pessoas em todas as circunstâncias da vida. Um médico, um psicólogo, um professor entre outros, podem acompanhar a saúde física, psíquica, emocional e intelectiva em qualquer lugar que o seu paciente e ou aluno esteja.

    Ao medir as mudanças sutis dos ritmos respiratórios e cardíacos, o EQ-Radio consegue detectar se uma pessoa está animada, feliz, irritada, tensa, triste ou mentido – e pode fazer isso sem sensores colados no corpo. Dina Katabi, a líder desse projeto do Laboratório de Ciência da Computação e de Inteligência Artificial (CSAIL) no MIT, garante que o sistema poderá ser utilizado nos cuidados com a saúde, com o aprendizado, e pela indústria do cinema e da publicidade, em testes para medir a reação em tempo real dos espectadores ao assistir a um filme ou ver um anúncio, por exemplo.

    Por similaridade ao assunto, recorrermos ao livro Nos Domínios da Mediunidade, psicografado há mais de meio século por Chico Xavier. Na obra lemos sobre o emprego do psicoscópio pela espiritualidade que funciona à base de eletricidade e magnetismo, utilizando-se de elementos radiantes, análogos na essência aos raios gama. É aparelho “espiritual”, constituído por óculos de estudo, com recursos disponíveis para a microfotografia transcendente. [1]

    Portanto, é um equipamento eletrônico construído no além-túmulo para definir a qualidade das vibrações mentais emanadas de encarnados e de desencarnados, registrando os mais íntimos sentimentos de que são portadores aqueles que a ele são submetidos. Deste modo, o psicoscópio, dentre outras possíveis finalidades, é utilizado num grupo mediúnico, com o objetivo de análise da personalidade de seus integrantes a fim de medir-lhes as reais possibilidades de trabalho. Os instrutores do além afirmam que os encarnados são geradores de força eletromagnética, com uma oscilação por segundo, registrada pelo coração.

    Os mestres transcendes elucidam que todas as substâncias vivas da Terra emitem energias, enquadradas nos domínios das radiações ultravioletas. Podem, desse modo, projetar raios mentais, em vias de sublimação, assimilando correntes superiores e enriquecendo os raios vitais de que são dínamos comuns. Somos todos fontes irradiantes de energias resultantes do produto mental, que vibram em torno de nós, propagam-se e revelam o estado de evolução em que nos encontramos.

    Tal dispositivo do além funciona à semelhança de aparelhos existentes na Terra, como o estetoscópio, o eletrocardiógrafo, os raios X, os tomógrafos dentre outros que são empregados pela medicina terrena e revelam o estado orgânico do paciente, permitindo o acesso a informações inacessíveis sem o seu uso. Anotam os Espíritos que se o espectroscópio permite ao homem perquirir a natureza dos elementos químicos, localizados a enormes distâncias, através da onda luminosa que arrojam de si, com muito mais facilidade identifica-se os valores da individualidade humana pelos raios que emite. [2]

    A moralidade, o sentimento, a educação e o caráter são claramente perceptíveis, através de ligeira inspeção psicoscópica. O aparelho extra físico tem esse caráter revelador e impede que os trabalhadores envolvidos no serviço mediúnico, tanto os médiuns como os espíritos comunicantes, ocultem ou dissimulem seus sentimentos e suas intenções. Portanto, também funciona como uma espécie de "detector de mentira". Diante dele, o espírito se desnuda. Nada pode ser escondido com relação aos seus sentimentos e pensamentos. Com isso, a sua utilização nas reuniões mediúnicas permite à espiritualidade superior uma melhor administração do intercâmbio mediúnico.

    Ponderam os gênios do além que com a psicoscopia, por si só, dá margem a preciosas reflexões. Imaginemos uma sociedade humana que pudesse retratar a vida interior dos seus membros. Isso economizaria grandes quotas de tempo na solução de inúmeros problemas psicológicos. O estudo repousa nos alicerces das radiações humanas com o seu prodigioso campo de influenciação. [3]

    A ciência dos raios imprimirá, em breve, grande renovação aos setores culturais do mundo. Aguardemos o porvir, previram os mentores de André Luiz na obra citada. Finalmente, já conquistamos o EQ-Radio. O que virá adiante?

    Referência bibliográfica:
    [1]        Xavier , Francisco Cândido.  Missionários da luz, “O psicoscópio” , RJ: Ed FEB, 1988
    [2]        idem


    [3]        idem

    25 de out de 2016

    "Eu perdoo" (Jorge Hessen)




    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília DF

    Brryan Jackson foi deliberadamente infectado pelo vírus HIV, aos 11 meses de vida, por seu próprio pai - um técnico em hematologia que estava se separando da mãe de Brryan e estava preocupado com o pagamento de pensão.

    O episódio aconteceu durante uma internação hospitalar por causa de uma asma. O pai, Brian, aproveitou uma saída da mãe do quarto para injetar o vírus na corrente sanguínea do filho. Quando descobriram o que afetava o Brryan, já aos cinco anos de idade, os médicos lhe deram apenas cinco meses de vida. Os clínicos temiam não apenas os efeitos da doença, mas do coquetel de remédios que ele precisava tomar para tentar mantê-la sob controle.

    Atualmente, a rotina médica de Brryan Jackson já não envolve mais andar com sondas pelo corpo, como nos tempos de escola. As 23 pílulas diárias hoje são apenas uma, embora de três em três meses ele precise ir ao médico para checar seu sistema imunológico. A doença, obviamente, afetou sua vida social. Diversos relacionamentos foram interrompidos por pais receosos.

    Hoje, aos 25 anos, Jackson confessa que cogitou o suicídio, mas optou pela religião. A conversão ao Cristianismo fez com que decidisse “perdoar” o pai, que foi condenado à prisão perpétua em 1998. Conta que nunca teve contato com o progenitor. Contudo poderá ficar frente a frente com ele ainda este ano, quando uma junta examinará um pedido de liberdade condicional. Jackson, apesar de o ter “perdoado”, pretende ler um comunicado em que recomenda que o pai continue preso. (1)

    Como agir diante de uma situação dessas? Será que realmente Brryan perdoou seu pai? O assunto é ingrato e merece algumas avaliações doutrinárias. Em verdade, aprendemos com os Benfeitores espirituais que se alguém nos prejudicou, não podemos permitir que o sentimento de vingança desgaste nosso estado psicoemocional. (2) Nem que seja por “egoísmo” é importante perdoar incondicionalmente. Até porque, quem sofrerá com a mágoa guardada somos nós e não quem nos lesou, causando consternação ou desgosto.

    Quantos são aqueles que dizem que desejam perdoar, mas não o conseguem? Ora, distanciando-nos do caso Brryan Jackson, urge ponderar alguns aspectos. Será que quem nos magoa queria nos prejudicar propositalmente? Muitos erros são cometidos sem a intenção de nos danificar. Porém, se tiverem sido intencionais, será que o nosso agressor se arrependeu? Neste caso, será que estamos realmente dispostos a indultá-lo?

    Em verdade, só podemos perdoar o outro se perdoarmos a nós mesmos. Reflitamos nos erros que cometemos com o próximo e desculpemo-nos. Livremo-nos da culpa e estaremos prontos para perdoar. efetivamente, esquecer a ofensa nos favorece porque faxina o coração da ira e da contrariedade. Perdoar alguém que nos fez mal revoga o ciclo de pensamentos negativos, que só servem para nos abater moral e espiritualmente.

    É um sinal de amadurecimento, pois ofertar o perdão favorece o agressor, contudo beneficia muito mais quem perdoa. Proporciona uma duradoura percepção de liberdade. É verdade! Ao saírmos da posição de vítimas, a sensação é de grande liberdade - deixamos de ser escravizados de um sentimento que antes nos aprisionava. Ajuda-nos a retomar as rédeas da vida.

    Quem profere do fundo d’alma "eu perdoo" se sente mais forte e capaz de comandar o próprio destino. 

    Nota e Referência:

    (1) Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36608335 acesso 23/10/2016
    (2) É aquela nossa ação interior para vivermos emoções através de nosso intelecto

    23 de out de 2016

    Sintomas da mediunidade

    JT:  Olá prezado irmão Jorge! Parabéns pelos artigos que tem nos brindado . Temos aprendido muito com suas informações. Que Deus o ilumine cada vez mais!...Se possível, gostaria que nos esclarecesse, se possível,  o porquê de minha filha (48 anos) sentir muito calor, principalmente nas mãos quando entra em oração ou quando está em reuniões espíritas (mesmo as doutrinárias; ela não frequenta mediúnicas ainda.) . Segundo ela, não é menopausa. É um calor muito grande, mais centralizado nas mãos. Por que será? Obrigada desde já pela sua fraternal atenção.Muita Paz em nossos corações! 
    Abraços. JT

    Jorge Hessen: Kardec afirma que a mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos. Nalguns a mediunidade provoca sintomas sutis ou vigorosos, que permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.
    Sob o  ponto de vista fisiológico pode provocar  dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória (suores e esquentamento das mãos, dos pés) , dores de cabeça frequentes,  esgotamento mental, dormências, zumbido no ouvido, visualização de vultos , audição de vozes, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desarmônica.

    Sob o ponto de vista  psicológico, pode provocar  ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.

    Nem todos as pessoas, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior.
    Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do imperativo iluminativo.

    A mediunidade não é um transtorno do organismo, mas tem suas bases fisiológicas, mormente do sistema endocrínico. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

    19 de out de 2016

    Felicidade está dentro de nós, e deve ser partilhada (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com
    Brasília.DF

    A felicidade é uma atraente sensação que experimentamos de euforia, uma percepção vivaz; todavia ela não ocorre em condições contínuas e permanentes, porquanto felicidade não é o mesmo que euforia. Alguns procuram estados eufóricos sob efeito dos fármacos psicoativos. Em verdade, se a felicidade não for simples, se ela for ornada em excesso, inchada de coisas inúteis, nesse caso não é felicidade, é apenas ilusão.

    Nossa felicidade não se constrói com o aumento do salário, com o ganhar na loteria, com algum bem caro que possamos adquirir. Porém, muitos nos iludimos achando que a felicidade mora no ter, no possuir, no aparentar, no exibir. Todavia, a felicidade verdadeira e perene é simples e modesta.

    Há pessoas que creem que a felicidade é a posse de bens materiais. Dinheiro, realmente produz uma certa euforia, porém, muito rápida, muito momentânea, muito episódica, fugaz. O endinheirado entra em processo obsessivo de imaginar que a consumolatria e a posse contínua de bens é que vão deixá-la feliz. Porém, o que ocorre normalmente é que ele vai ficar em estado de vazio existencial e de pungentes ansiedades.

    A felicidade é simples e advém daquilo que é essencial, e o essencial na vida é a amizade, a fraternidade, a lealdade, a sexualidade (sadia), a religiosidade. Muita gente confunde o essencial com o fundamental. Em realidade o fundamental é o que nos ajuda a chegar ao essencial. Observemos que dinheiro não é essencial mas é fundamental, pois sem ele teremos problemas materiais. Mas dinheiro em si não nos traz felicidade, até porque não se compra amor com dinheiro, compra-se sexo (dissoluto); não se compra amizade com dinheiro, compra-seinteresse; não se compra fidelidade com dinheiro, mas compra-se reciprocidade (toma lá, dá cá).

    É bem verdade que o dinheiro em si não é desprezível, mas ele não é suficiente para a realização pessoal. O equívoco está quando se procura a felicidade naquilo que é secundário, em vez de procurá-la na sua fonte primária, que é o que de fato nos dá autenticidade para usufruir a felicidade. Os Benfeitores espirituais afirmam que ainda não podemos desfrutar de completa felicidade na Terra. Por isso que a vida nos foi dada como prova ou expiação. De cada um de nós, porém, depende a suavização dos próprios males e o sermos tão felizes quanto possível na Terra.

    Ponderemos que a felicidade é uma obra de construção progressiva no tempo. Somos quase sempre obreiros da própria infelicidade. Mas praticando a lei de Deus, a muitos males evitaremos e assentaremos em nós mesmos uma felicidade tão grande quanto o comporte a nossa rude existência.

    Nos paradoxos da vida, muitos fogem de casa para serem felizes, porém outros retornam para casa em busca da mesma felicidade. Uns se casam, outros se divorciam, com o mesmo intuito de felicidade. Uns desejam viver sozinhos, outros desejam possuir uma grande família a fim de serem felizes. Uns desejam ser profissionais liberais para comandar a sua própria vida e poder gozar de felicidade, outros desejam apenas ter um emprego para ganharem o salário no final do mês e, assim, serem felizes.

    A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desventura de outro. Nenhuma sociedade é perfeitamente feliz, e o que julgamos ser felicidade quase sempre camufla penosos desgostos. O sofrimento está em todos os lugares. As amarguras são numerosas, porque a Terra é lugar de expiação. Quando a houvermos transformado em morada do bem e de Espíritos bons, deixaremos de ser infelizes, assim, enquanto houver um gemido na paisagem em que nos movimentamos, não será lícito cogitar de felicidade isolada para nós mesmos.

    Tal como concebemos, a felicidade não pode existir, até agora, na face do orbe, porque quase sempre nos encontramos endividados e não sabemos contemplar a grandeza das paisagens exteriores que nos cercam no planeta. Apesar disso, importa lembrar que é na Terra que edificaremos as bases da ventura real, pelo trabalho e pelo sacrifício, a caminho das mais sublimes aquisições para o mundo divino de nossa consciência. Portanto, quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, meditemos na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.

    A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros. Sim, a felicidade consiste na satisfação com o que temos e com o que não temos. Poucas coisas são necessárias para fazer o homem sábio feliz, ao mesmo tempo em que nenhuma fortuna satisfaz a um inconformado.

    Tenhamos certeza: a única fonte de felicidade está dentro de nós, e deve ser repartida.

    17 de out de 2016

    Os vícios e vampirismos espirituais (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    Brasília-DF
    jorgehessen@gmail.com

    Para o aprendiz dos nefastos vícios humanos, o ato de fumar ou beber são puramente simbólicos. Na adolescência arrazoa que não é mais o “filhinho” da mamãe, que é “durão”, um ousado aventureiro e não um démodé. À medida que o simbolismo psicológico submerge, a conseqüência farmacológica adota a gerência para conservar a usança. 

    Para o espírita, o vício de fumar ou de beber tem implicações muito graves, especialmente em face das repetidas advertências dos Benfeitores Espirituais, elucidando sobre os danos que causam à mediunidade, por exemplo. O médium, contaminado pelo tabagismo, transforma-se inteiramente numa espécie de "cachimbo" ou "piteira" nas vinculações dos fumantes crônicos do além-túmulo, e o viciado em alcoólicos torna-se mira de obsessão dos indigentes alcoolistas da dimensão espiritual.

    O viciado de qualquer matiz se torna cativo ante as garras insaciáveis do parasitismo ou do vampirismo. Experiências de vida que poderiam ser nobres, dignas, proveitosas, tornam-se vergonhosas e inúteis, estimulantes de capitulações desastrosas. Famílias inteiras são, quase sempre, afetadas por essas ruínas morais de profunda repercussão. Na verdade, o vampirismo é apenas um fenômeno de simbiose, que tanto ocorre entre os encarnados quanto entre os desencarnados, isto é, nenhum vício termina com a desencarnação.

    Os vícios aqui comentados fustigam as bases da consciência espirita, desarmoniza a estrutura fisiopsíquica e as composições funcionais do perispírito, que se impregna de toxinas. O álcool e o fumo afetam os trilhões de células saturadas de vitalidade que compõem o psicossoma, deixando sequelas específicas. Em verdade, o tabagismo e o alcoolismo atormentam os desencarnados viciados que se angustiam ante a vontade de fumar e de beber, irresistivelmente potencializada.

    O desgastante cenário da questão é consubstanciado na inexistência de indústrias de bebidas alcoólicas e de fábricas de cigarros na erraticidade, a fim de abastecer os finados tabagistas e alcoolistas. Em face disso, os "fantasmas" fumantes e beberrões, para materializarem suas baforadinhas e tragadinhas, tornam-se promotores protagonistas da subjugação, transformando-se em artífices da vampirização sobre os encarnados inermes de vontade. Situações em que Espíritos viciados se locupletam nos vapores etílicos e nas deletérias baforadas do malcheiroso cigarro.

    Esses são motivos relevantes para nos acautelar contra quaisquer tóxicos, narcóticos, alcoólicos e contra o hábito demasiado de ingestão de drogas que contaminem a composição natural do organismo físico, até porque, disciplina, discernimento e comedimento afiançam o equilíbrio e o bem-estar da nossa casa mental.

    30 de set de 2016

    NO ALÉM-TÚMULO NÃO SE MANEJA CONTAS BANCÁRIAS Jorge Hessen



    Jorge Hessen
    Brasília-DF


    Sabe-se que Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook, e sua esposa, Priscilla Chan, doaram US$ 95 milhões para suas duas instituições de caridade, a Chan Zuckerberg Foundation e a CZI Holdings LLC. O valor, que será investido nas áreas de saúde, tecnologia e educação, soma-se aos US$ 285 milhões já doados pelo casal e reflete uma realidade comum entre os mais ricos do mundo: a filantropia como estratégia empresarial. [1] Para Stephen Kanitz a doação ou investimento que os bilionários fazem para a filantropia é uma alternativa de propaganda para as empresas que querem causar o máximo de impacto junto à opinião pública com poucos recursos. Em que pese ser presumível tal tática, não se pode ignorar que é uma estratégia elogiável e imprescindível.

    O investidor bilionário George Soros declarou em um artigo publicado no jornal norte-americano Wall Street Journal que irá investir 500 milhões de dólares para ajudar a atender as necessidades de imigrantes e refugiados. [2] Bill Gates, cofundador da Microsoft, já doou US$ 31 bihões para sua instituição de caridade, a Bill & Melinda Gates Foundation, que beneficia movimentos pela redução da fome, pobreza e doença. Gates e Warren Buffett criaram, há seis anos, a Giving Pledge ("Promessa de Doação” em uma tradução livre") que incentivou mais de 190 bilionários a doarem pelo menos metade de sua fortuna, em vida ou na morte.

    Larry Ellison, fundador da Oracle, criou em 1997 a Ellison Medical Foundation, que se dedica à investigação da biomedicina e melhorias de vida à população mundial. Ellison também se comprometeu a doar toda sua riqueza para a caridade. Carlos Slim Helu, dono da Telecom, já investiu mais de US$ 100 milhões em conservação ambiental no México, doou US$ 4 milhões para educação e também ofereceu um programa para que mexicanos fizessem pós-graduação na Universidade George Washington.

    Michael Bloomberg, investiu US$ 53 milhões em um programa para recuperar a população de peixes no Brasil, Filipinas e Chile. A tradição da filantropia americana vem de longe. Cremos que Andrew Carnegie seja seu maior ícone e, de certo modo, definidor conceitual. Imigrante pobre, Carnegie fez fortuna na siderurgia americana, na segunda metade do século XIX. Em 1901, aos 66 anos, vendeu suas indústrias ao banqueiro J.P. Morgan e tornou-se o maior filantropo americano. Uma de suas tantas proezas, não certamente a maior, foi construir mais de 3 mil bibliotecas nos Estados Unidos. Em 1889, escreveu o artigo “The Gospel of Weath”, defendendo que os ricos deveriam viver com comedimento e tirar da cabeça a ideia de legar sua fortuna aos filhos. Melhor seria doar o dinheiro para alguma causa, ou várias delas, à sua escolha, ainda em vida. [3]

    Alwaleed Bin Talal Al-Saud, príncipe da Arábia Saudita, é um dos homens mais ricos do mundo, pretende doar toda sua fortuna para causas filantrópicas. Em um comunicado em seu site, Al-Saud afirma que busca construir um mundo com mais tolerância, aceitação, igualdade e oportunidade para todos. O dinheiro vai para a Alwaleed Philanthropies, que tem parceria com a Bill & Amp; Melinda Gates Foundation, Carter Center e Weill Cornell Medical College, para reforçar os cuidados de saúde e de controle de epidemias pelo mundo. [4]

    Jorge Paulo Lemann, considerado pela Revista Forbes o homem mais rico do Brasil, segue o mesmo discurso de Bill Gates de direcionar parte de sua fortuna a projetos sociais. Por meio da Fundação Lemann, investe na melhoria da educação no Brasil, oferecendo bolsas de estudo no exterior para talentos brasileiros e cursos para secretários municipais de educação, diretores e professores de escola pública.

    Para os endinheirados, digamos, mais avarentos, brasileiros ou estrangeiros, segue aqui um alerta do mundo dos “mortos”. O aviso é do finado poeta Humberto de Campos: “se você possui algum dinheiro ou detém alguma posse terrestre, não adie doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las. Grandes homens, que admirávamos no mundo pela habilidade e poder com que concretizavam importantes negócios, aparecem, junto de nós [no além-túmulo], em muitas ocasiões, à maneira de crianças desesperadas por não mais conseguirem manobrar os talões de cheque [contas bancárias].” [5]

    Referências: 

    [3] Disponível em http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2015/06/por-que-os-milionarios-brasileiros-nao-doam-suas-fortunas-universidades.html acesso 18/08/2016
    [4] Disponível em http://www.infomoney.com.br/carreira/gestao-e-lideranca/noticia/4137147/principe-saudita-decide-doar-toda-sua-fortuna-mais-bilhoes acesso em 18/08/2016

    [5] Xavier, Francisco Cândido. Cartas e Crônicas, ditado pelo espírito Humberto de Campos, cap. 4 “Treino para morte” Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1967

    27 de set de 2016

    Entrevista com Antônio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da FEB (*)


    Antônio César Perri de Carvalho 



    (*) Questões propostas por: Jorge Hessen, José Passini, Leonardo Marmo, Astolfo Olegário, Eurípedes Kuhl, Wilson Garcia, José Sola, Paulo Neto, Roberto Cury, Irmãos W. (Autores Espíritas Clássicos).


    1) Considerando as pressões e complexidades inerentes ao cargo de presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), que tipo de concessão o senhor foi constrangido a aceitar em prol de um apaziguamento ou visando à obtenção de projetos que, no respectivo momento, considerava mais prioritários para o Movimento Espírita e para a melhor divulgação doutrinária? Que avaliação retrospectiva o senhor faria, hoje, desse (s) procedimento (s) e de suas repercussões?


    Cesar Perri – Assumimos a presidência interina da FEB, na condição de um dos vice-presidentes, por indicação do ex-presidente Nestor João Masotti, que se licenciava para tratamento de saúde; em seguida, por renúncia deste amigo, fomos eleito presidente. No conjunto atuamos na presidência no período de maio de 2012 a março de 2015. Foram momentos de muitas complexidades internas na FEB e na sua relação com o Conselho Espírita Internacional, que também apresentava dificuldades administrativas. Não fizemos concessões, mas percebemos resistências e o ritmo lento de muitas providências.
    Sentimos claramente que existiam pontos de vistas diferentes dos nossos acerca do papel a ser exercido pela FEB no movimento espírita. Em nossa ótica, entendemos a FEB como uma instituição nacional, que deve interagir com o movimento espírita do país, e, nesta condição o chamado “campo experimental” não deveria gerar a ideia de “modelo”, pois entendemos que o mais importante para o trabalho federativo são as experiências provenientes do movimento espírita como um todo, sem qualquer ação que poderia vir a ser confundida com centralização. 
    Por outro lado, desde o primeiro momento da gestão e ainda na interinidade, realizamos reuniões quinzenais conjuntas do Conselho Diretor (integrado pelo presidente e vice-presidentes) e da Diretoria Executiva da FEB (integrado por diretores). Dessa maneira todos os assuntos e encaminhamentos foram decididos nessas reuniões e se implantou a gestão com base em orçamento. No período de nossa gestão, sempre com divulgação ampla, convocamos duas Assembleias Gerais.
    Extraordinárias, reuniões extraordinárias do Conselho Superior e do Conselho Federativo Nacional - CFN, e, efetivamos reuniões conjuntas do Conselho Federativo Nacional e do Conselho Superior. Muitos pontos de vistas divergentes foram equacionados nesse conjunto de reuniões. Enfim, seguíamos um projeto de favorecer maior participação do movimento espírita brasileiro, iniciado desde a gestão do ex-presidente Nestor Masotti. Por indicação e com apoio deste ex-presidente, previamente, exercemos durante oito anos o encargo de secretário geral do CFN da FEB, com essa linha de atuação. Mas sentimos que isso gerou resistências internas na instituição. Evidentemente que gostaríamos de ter completado o Projeto de Planejamento Estratégico da FEB, que iniciamos, e, de termos concluído propostas de adequação e de dinamização de atividades na área federativa e na área editorial da FEB.


    2) Por que a FEB mantém o atual modelo do Conselho Superior - que certamente teve sua finalidade nos primórdios da implantação do Movimento Espírita no Brasil - até o presente, numa centralização de poder que se assemelha ao Colégio Cardinalício do Vaticano, tirando o poder do Conselho Federativo Nacional?


    Cesar Perri – Sem comentar a comparação colocada na indagação, geralmente se lembra do Conselho Superior relacionando-se com a sua função de “colégio eleitoral”. Há um registro histórico público do ex-presidente da FEB Leopoldo Cirne (gestão 1900/1913) - em um livro de 1935, - aliás com um título não usual Antichristo, Senhor do Mundo -, onde analisou a criação e o funcionamento de órgãos da FEB e a criação do que chamou de “verdadeiro círculo vicioso”. Em nossa ótica, a composição e as atribuições do Conselho Superior deveriam ser revistas para se adequar melhor a uma instituição de caráter nacional, e, também, efetivamente atuar como um conselho semelhante aos conselhos de administração das empresas da atualidade.
    Entendemos que as atribuições e efetivas ações do Conselho Superior da FEB deveriam ser até ampliadas, para uma participação mais ativa dos seus membros no acompanhamento das decisões e ações do Conselho Diretor e da Diretoria Executiva. Na tentativa de promover uma ação mais próxima do Conselho Superior com a direção da FEB e com o movimento federativo, convocamos reuniões extraordinárias e também conjuntas do Conselho Superior com o Conselho Federativo Nacional da FEB. 


    3) Considerando o grande número de títulos que são publicados pela Federação Espírita Brasileira (FEB) e a condição de “indisponível” de várias obras altamente relevantes doutrinariamente, seria interessante saber como é discutida, pela direção da FEB, os livros que devem receber prioridade para serem publicados, divulgados e distribuídos. Assim sendo, que fatores são levados em consideração e como as discussões são empreendidas, uma vez que a FEB publica Chico Xavier, Divaldo P. Franco e Yvonne A. Pereira, além de Denis, Delanne e Bozzano, entre outros, além, obviamente, de Allan Kardec? 


    Cesar Perri – Assumimos a gestão da FEB em época muito complicada, com necessidade de decisões urgentes relacionadas com a desativação da gráfica, iniciada na gestão do ex-presidente Nestor Masotti, e, depois de todo o prédio ligado à editora no Rio de Janeiro, implantando-se a terceirização das impressões com cotações em várias grandes gráficas e a distribuição dos livros utilizando-se experiente empresa de logística. Também houve necessidade de revisão de todos os textos dos livros, atualização das capas e da diagramação dos livros. Simultaneamente já sentíamos os reflexos iniciais da crise econômica do país. Há um Conselho Editorial - integrado por dirigentes da FEB -, e que tem a atribuição de analisar novas obras e reedições; e, durante nossa gestão, se iniciou um processo de maior interação entre este e o Conselho Diretor e a Diretoria Executiva da FEB, para a definição de prioridades do ponto de vista doutrinário e da realidade do mercado livreiro. Na nossa visão esse processo estava apenas se iniciando e deveria ser aprofundado e aperfeiçoado.


    4) Por que a FEB continua publicando a obra de J.B. Roustaing, que diverge frontalmente de princípios doutrinários apresentados por Kardec? Considerando o desígnio da unificação do M.E.B. e permanecendo a FEB obsessivamente apadrinhando e divulgando “ Os Quatro Evangelhos” de J.B. Roustaing, não seria essa incomoda obstinação lesiva à união dos espíritas? Será que espera uma campanha de esclarecimento a ser deflagrada no meio espírita? 


    Cesar Perri – Quando assumimos a presidência da FEB estavam esgotados muitos títulos. A obra citada e muitas outras não foram reeditadas durante nossa gestão. Com relação à divulgação da obra referida, mantivemos o acordo feito durante a gestão do ex-presidente Francisco Thiesen - e sempre lembrada pelo ex-presidente Nestor João Masotti -, que nas ações federativas e documentos do Conselho Federativo Nacional e na revista Reformador as obras de Allan Kardec seriam a base. Nunca aprovamos propostas de divulgação sobre a não recomendação de obras e muito menos de elaboração de listas de livros que eventualmente não seriam indicados. Desde os tempos de nossa atuação na União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo - USE valorizamos a Campanha “Comece pelo Começo”, de divulgação das Obras Básicas de Allan Kardec, iniciada nos anos 1970. Aliás, durante nossa gestão como presidente da FEB, o Conselho Federativo Nacional aprovou em 2014 a Campanha “Comece pelo Começo”, proposta e elaborada pela Área Nacional de Comunicação Social Espírita do CFN.

    5) Você que certamente deve ter sido vítima diversas vezes de ataques e perfídias dos inimigos da luz (encarnados e desencarnados), em face as suas experiências e potencialidades federativas, já refletiu sobre a possibilidade de conduzir um movimento, em que líderes e dirigentes federativos ou não, participem ?


    Cesar Perri – A diversidade de pensamentos e de sentimentos é uma característica do nosso mundo, da humanidade encarnada e da desencarnada. Vivemos essa experiência de aprendizagem, mas preponderando as vibrações fraternas, nas atividades profissionais, e, no movimento espírita, desde o início de nossa trajetória na mocidade, no centro espírita, nos órgãos de unificação municipal e regional, na direção em nível estadual da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo - durante três mandatos como presidente -, e, na convivência com o movimento espírita de nosso país, incluindo o Conselho Federativo Nacional da FEB. Inspiro-me sempre no apóstolo Paulo: “Examinai tudo, retende o bem” e no seu depoimento: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. Acredito que nossa “corrida” não se encerrou, mas ocorrem adequações de caminhos, e, sem a preocupação com cargos, estamos atuando como um servidor, procurando manter a “fé com obras” e bem próximo da realidade das bases do movimento espírita.


    6) Algum desencanto em face da não reeleição à presidência da FEB?


    Cesar Perri – Poucos dias antes da eleição, recebemos a informação de alguns dirigentes da FEB da posição deles que queriam a escolha de um outro presidente e, logo depois, divulgaram um manifesto ao Conselho Superior da FEB. Preparamo-nos para a nova circunstância, ciente de que poderiam ocorrer paralisações e alterações de projetos que defendíamos. Após deixarmos a presidência da FEB, optamos por atuar em instituição simples e funcionando em bairro mais periférico de Brasília; com a nossa participação foi criado o Grupo de Estudos Espíritas Chico Xavier (GEECX); prosseguimos atendendo a continuados convites de todas as partes do país, para visitas, palestras e o desenvolvimento de seminários, visitando inclusive o interior de vários Estados; retomamos as contribuições mensais com a Revista Internacional de Espiritismo, vínculo que já existia desde o ano de 1971, e a elaboração de livros, como os recentemente lançados pelas Editoras “O Clarim” e pela USE-SP. Em todos os rincões que nos convidam temos recebido o reconhecimento amigo e o carinho da família espírita em manifestações de solidariedade fraterna. 


    7) Parece haver uma concepção generalizada de que o Espiritismo é uma religião no sentido tradicional do termo e há até mesmo quem diga que atualmente "O Evangelho segundo o Espiritismo" está sendo empregado como "O Espiritismo segundo o Evangelho". Como você percebe e conceitua essa situação?


    Cesar Perri – Em palestras, artigos e em livros temos trabalhado a concepção de Allan Kardec sobre religião, que consta em O livro dos espíritos (Conclusão, item V): “O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião [...] ele se apóia na confiança em Deus [...] convida os homens à felicidade, à esperança, à verdadeira fraternidade [...]”.
    Reconhecemos que Kardec faz importantes definições em O evangelho segundo o espiritismo (Apresentação): “Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral por si sós são ininteligíveis, parecendo alguns até irracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo...”. No capítulo I deste mesmo livro Kardec inclui mensagem de Um Espírito israelita”: “Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.” 
    Destacamos que o filósofo e jornalista Herculano Pires deixou-nos significativas obras que analisam essas questões, entre outras o livro: O espírito e o tempo. Introdução histórica ao espiritismo, cuja 1ª. edição veio a lume em 1964.
    Entre as Obras Básicas de Allan Kardec, percebemos que o livro O Evangelho segundo o Espiritismo é utilizado, geralmente, como “leitura preparatória” de reuniões ou como temas de palestras e que está faltando e o seu estudo. Durante nossa presidência na FEB, intensificamos a divulgação desse livro por ocasião do Sesquicentenário de sua publicação, inclusive com a sua edição em parceria com Federativas, numa tiragem de 200 mil exemplares, e, no temário do 4º. Congresso Espírita Brasileiro, em 2014. Esse congresso foi um marco de evento bem sucedido, descentralizado e efetivado simultaneamente em quatro regiões, com consultas prévias às Federativas sobre temas e expositores, e autossustentável. Também criamos as reuniões de estudo de O evangelho segundo o espiritismo, na sede da FEB em Brasília, e integramos sua equipe de facilitadores e acompanhamos o vívido interesse dos participantes de diversas faixas etárias e com diferentes graus de conhecimento doutrinário, no desenvolvimento dos temas; foram marcantes as avaliações que os frequentadores fizeram sobre essas reuniões de estudo.
    No período adotou-se uma adaptação da metodologia de estudo interpretativo do Evangelho, que foi desenvolvida por Honório Onofre Abreu (ex-presidente da UEM, MG). Também foi criado o Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho (NEPE da FEB) que gerou uma série de vídeo aulas – “Evangelho à luz do Espiritismo” pela TVCEI e depois FEBtv, tendo como desdobramento o aparecimento de vários grupos de estudos de O evangelho segundo o espiritismo em vários locais do país. Ainda como consequência, a Editora FEB lançou em 2014 o livro elaborado por uma equipe, com o título O evangelho segundo o espiritismo. Orientações para o estudo. 
    Após deixarmos a presidência da FEB, prosseguimos nessa linha de trabalho e inclusive elaboramos o livro Epístolas de Paulo à luz do Espiritismo (Ed. O Clarim), valorizando a essência das recomendações morais de Paulo e sobre dons espirituais, com abordagens simples, objetivas e fundamentadas nas obras de Kardec e do Espírito Emmanuel, psicografadas por Francisco Cândido Xavier.


    8) A figura de Chico Xavier está sendo venerada com equilíbrio ou com exagero? Você concorda que ele surge atualmente como uma voz mais forte e mais requisitada do que a de Kardec?


    Cesar Perri – Na realidade, encontramos as duas situações. Surpreso, temos verificado que muitos espíritas e até dirigentes nunca leram obras psicográficas de Chico Xavier, afeitos a modismos da literatura espírita e ao estudo por apostilas. Chico Xavier era muito simples e não aceitava incensamentos dos amigos e simpatizantes. Conheci-o pessoalmente e o visitamos com assiduidade durante mais de 20 anos nas ações da Comunhão Espírita Cristã e do Grupo Espírita da Prece, e no seu lar, em Uberaba. Temos muitos registros com ele. Quando completou 70 anos de mediunidade, o homenageamos escrevendo o livro Chico Xavier. O homem e a obra (editado pela USE-SP). Nesse livro e principalmente agora, entendemos que o mais importante será a valorização do estudo de sua obra. Por escolha do CFN da FEB coordenamos nacionalmente o “Projeto Centenário de Chico Xavier” e depois divulgamos efemérides ligadas a livros, como os 70 anos da publicação de Paulo e Estêvão.
    Durante nossa presidência na FEB estimulamos a ampla divulgação dos livros psicográficos de Chico Xavier, apoiamos a elaboração e o início da publicação da série Coleção O Evangelho por Emmanuel, e providenciamos um contrato de parceria da Editora CEU (de São Paulo) com FEB, para a edição dos títulos de Chico Xavier dessa tradicional casa editorial. Entendemos que o estudo dos livros deste médium devem ser realizados junto com os de Allan Kardec, aliás foi a proposta de Emmanuel nos livros em que homenageou o Centenário das obras de Kardec, a saber: Religião dos espíritos, Seara dos médiuns, Livro da esperança, Justiça divina. 


    9) Por que o Movimento Espírita Brasileiro, de modo geral, não dá à defesa da vida, em especial, à prevenção do aborto a mesma prioridade das demais áreas de sua atuação?


    Cesar Perri – Desde a publicação dos opúsculos Em Defesa da Vida, pela FEB, durante a gestão do ex-presidente Nestor João Masotti, e de suas atuações – que acompanhamos – na origem do Movimento Nacional da Cidadania Em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto (2006), verificamos que com o apoio do CFN da FEB, surgiram muitas ações em vários Estados. Em vários destes, as coordenações foram realizadas por lideranças espíritas locais. Desde o início dessa campanha tivemos participação ativa, com equipe de apoio, nos eventos que estimulam a defesa da vida. Chegamos a conseguir um artigo especial para a revista Reformador, de autoria de Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, contrário ao aborto e publicado em 2011. Nas reuniões do CFN da FEB e nas suas ações regionais foram divulgadas e estimulamos tais Campanhas. Houve boa repercussão e bons resultados, porém, reconhecemos que são ações mais recentes ao compararmos com atividades mais antigas dos centros espíritas e do movimento espírita. 


    10) Percebe-se, atualmente, um certo arrefecimento do vigor do movimento espírita no Brasil. Você concorda com essa percepção?


    Cesar Perri – Talvez pudéssemos dizer que o movimento espírita – se considerarmos o movimento mais ligado ao trabalho federativo – não acompanha a expansão da base, ou seja, dos centros espíritas. Nas nossas viagens continuadas pelo interior constatamos este fato. Outro aspecto é a dimensão territorial de nosso país e seus Estados, quase um Continente, e as dificuldades financeiras para a mobilidade entre as cidades e entre os Estados. Por outro lado, acreditamos que há muito a ser realizado para a compreensão da união – como laço moral, solidário e espiritual –, o respeito à diversidade das situações e condições dos centros espíritas, e o conhecimento dessas realidades para o melhor atendimento e apoio às reais demandas das diversificadas instituições. Nas visitas a centros pequenos e com várias características, fortalecemos o ponto de vista de que o trabalho de união deve ser constantemente adequado às bases do movimento: os centros espíritas. Vale a pena a releitura e a reflexão de Allan Kardec, em assuntos correlatos, principalmente a 2ª. Parte de Obras póstumas.


    11) Visando à melhoria das atividades do Movimento Espírita, sobretudo do ponto de vista da qualidade doutrinária, com a experiência de ter sido diretor, vice-presidente e presidente da FEB em um intervalo substancial de tempo, que estratégia o senhor considera que poderia ser mais eficiente por parte tanto dos confrades com maior influência em órgãos federativos e grandes centros espíritas como também dos confrades com atuação de menor repercussão em nível nacional? Nesse contexto, até que ponto a FEB observaria e seria sensível a tais esforços para ajustar suas próprias diretrizes?


    Cesar Perri – Nossa sugestão é a ampla difusão das Obras Básicas de Kardec, a implementação da Campanha “Comece pelo Começo”, estimulando o estudo e a leitura direta nos livros, e procurando disponibilizar livros em formato e valor monetário compatível com a maior parcela da população brasileira, e que tem dificuldades financeiras. Cremos que é chegado o momento de se rever o processo de “escolarização” que se desenvolveu com a criação de cursos, ciclos, apostilas e exigências de pré-requisitos como faixas etárias padronizadas e de sequenciamento de frequência a cursos para a posterior integração nas atividades dos centros espíritas e do movimento espírita.
    Os dados do Censo realizados pelo IBGE nos anos 2000 e 2010 apontam para realidades que são preocupantes dos espíritas declarados, de faixa social e de faixa etária. É urgente a revisão dos processos para a integração da infância e dos jovens, e da família, nos centros espíritas. A nosso ver, as propostas de trabalho precisam ser adequadas às distintas realidades dos centros espíritas, lembrando que a maioria é simples e de pequeno porte. Esses assuntos já vinham sendo abordados por algumas Federativas Estaduais e estimulamos tais estudos no Conselho Federativo Nacional da FEB, mas enfrentando algumas resistências localizadas. Repetimos sempre que há necessidade de menos formalidades e mais espontaneidade e simplicidade nas atividades espíritas. 
    Estreitamos os laços com as Entidades Espíritas Especializadas de Âmbito Nacional e foi criado o Conselho Nacional delas, junto à FEB. Entendemos que o Conselho Federativo Nacional da FEB, integrado pelos presidentes das Entidades Federativas dos 26 Estados e do Distrito Federal e pelo presidente da FEB, têm uma responsabilidade muito grande no sentido de estimular o efetivo apoio, a adequação e a dinamização do movimento espírita de nosso país.


    12) Na década de 1940 (antes do Pacto Áureo) líderes espíritas de Minas Gerais , São Paulo , Rio Grande do Sul entre outros sonhavam com a criação de uma Confederação espírita, qual a sua opinião sobre isso?


    Cesar Perri – Nos anos 1940 e principalmente após a fundação da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (1947) surgiram propostas de união e que deveriam ser discutidas com a FEB. A primeira psicografia de Chico Xavier sobre união e unificação foi assinada por Emmanuel – “Em nome do Evangelho” -, e dirigida aos participantes do 1o Congresso Nacional Espírita em São Paulo, promovido pela USE-São Paulo, em 1948. Essa mensagem, com o título acima, foi psicografada no dia 14 de setembro de 1948, em Pedro Leopoldo, MG (In: Orientação aos órgãos de unificação. FEB). Um grupo de lideranças espíritas do Sul e do Sudeste manteve contatos com o ex-presidente da FEB Wantuil de Freitas e, finalmente, foi assinado o “Pacto Áureo” (1949), criando-se o atual Conselho Federativo Nacional da FEB.
    Simultaneamente também surgiam ideias sobre uma Confederação. No ano de 1997, como presidente da USE-SP articulamos a elaboração de uma moção de união e solidariedade ao CFN da FEB, que contribuiu para se evitar o alastramento da proposta de Confederação, que crescia na oportunidade em função de polêmicas doutrinárias. A moção aprovada redundou no fortalecimento do CFN com a elaboração de novas propostas de atuação (Reformador, dezembro de 1997, p.360-1), as quais foram seguidas pelos ex-presidentes Juvanir, Masotti e por nós. Vários países adotam a organização de Confederação e o Conselho Espírita Internacional (CEI), no seu Estatuto vigente desde 2002, na prática se configura como uma confederação. No tocante ao trabalho de união e de unificação, entendemos que cabe às Entidades Federativas Estaduais, integrantes do CFN, definirem a organização e a ação federativa.


    13) Suas considerações finais:


    Cesar Perri –Com relação à tônica predominante das questões formuladas por vários companheiros entrevistadores, concluímos e sintetizamos, sugerindo aos leitores a reflexão sobre o último discurso de Allan Kardec, de novembro de 1868 (Revista Espírita, dezembro de 1868) - já citado anteriormente -, onde há colocações muito oportunas sobre a união dos espíritas: "Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade. [...] O laço estabelecido por uma religião, seja qual for o seu objetivo, é, pois, essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, como consequência da comunhão de vistas e de sentimentos, a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas."