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  • 16 de nov de 2017

    Fábulas da carochinha e o ancestral “espiritismo” à brasileira (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com


    Um belo dia, assisti a um vídeo (documentário) sobre as atividades de certa instituição espírita dirigida rigorosamente sob os preceitos da coerência doutrinária. Entretanto, no que pese o admirável trabalho assistencial efetivado por essa instituição, ela o realiza em sociedade (parceria) com outro “centro espírita”, que é administrado sem discernimentos e integral inobservância dos princípios kardecianos. 

    Eis aí o nó da questão! 

    Para meu espanto, notei no vídeo que alguns trabalhadores do segundo centro espírita estavam trajados com camisetas brancas à guisa de uniformes e coruscantes manifestações de idolatrias ao “médium” protagonista que “incorpora” “doutores do além” e/ou “espíritos curadores”. 

    No documentário ainda percebi cenas em que são exibidas substâncias acondicionadas em diversas garrafas, supostamente contendo “remédios” prescritos por orientações de “pretos velhos”. Com obviedade estranhei sobre tal prática, considerando que o documentário foi exibido numa instituição de orientação genuinamente kardeciana. Por isso, deliberei escrever aqui sobre as inconsistências da segunda instituição. 

    São raros, ainda, as instituições espíritas que se podem entregar à prática mediúnica, com plena consciência da tarefa que têm em mãos, deste modo, é aconselhável e prudente, a intensificação das reuniões de estudos sérios das obras de Kardec , a fim de que os trabalhadores de boa vontade não venham a cair no desânimo ou na inércia, por causa de um antecipado e imaturo comércio com as energias do plano invisível. 

    Creio que os médiuns são úteis, mas não indispensáveis numa casa espírita. É evidente que a ausência de estudos de Kardec não é prudente nas instituições espíritas, e é de se estranhar que médiuns estudiosos e sinceros, continuem com suas consciências escravizadas, incidindo no velho erro do misticismo e / ou da idolatria. 

    Quantos aos médiuns idolatrados é importante adverti-los que o seu maior inimigo não é quem os adverte, mas o seu personalismo e sua pirraça no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho. Há médiuns que se convenceram quanto aos fenômenos, sem se converterem ao Evangelho pelo coração, trazendo para as fileiras do Espiritismo os seus caprichos pessoais, opiniões cristalizadas no endurecimento do coração.

    É importante prevenir fraternalmente que os Espíritos que se apresentam como “caboclos” e “pretos(as)-velhos(as)” nos terreiros ou noutros recintos possuem muito pouco ou quase nada de si mesmos para ensinar, em termos de filosofia espírita. 

    O princípio do ÓBVIO nos sussurra que devemos ter respeito, atenção, carinho, amor, sincero desejo de ajudar tais entidades, porém essa não é uma recomendação isolada para Espíritos de “caboclos” e “pretos(as)-velhos(as)”. Isso vale para toda e quaisquer comunicação mediúnica.

    Dizem que por trás desses estereótipos (“pretos(as)-velhos(as)” , “caboclos”) podem estar "médicos", "filósofos", "poetas", etc., que apenas se utilizam de tais "roupagens" para ensinarem melhor (!...). Conquanto exista obra mediúnica já consagrada nas hostes espíritas que afiance isso, particularmente, duvido sobre tal veridicidade. Nada mais precipitado do que se dar crédito a esses argumentos. Até porque, o PENSAMENTO é a linguagem, por excelência, no mundo espiritual e a forma e trejeitos no falar e agir são adicionais supérfluos e desnecessários. 

    Ora, não há eternos espíritos de “pretos(as)-velhos(as)”, nem brancos(as)-velhos(as), até porque todos estão em processo de evolução e não podem permanecer nessas categorias. Por essa razão, devemos ter toda cautela com os seus atavismos primários. Até porque, essas entidades precisam descontruir tais psiquismos atávicos que, a rigor, mais assemelham-se aos mitológicos “deuses” do velho politeísmo.

    A Doutrina dos Espíritos está estruturada nas Obras Básicas de Allan Kardec e não possui ramificações ou subdivisões com outras crenças. Seu corpo doutrinário está contido nos ensinos dos Espíritos Elevados (isso mesmo! Espíritos Superiores). Motivo pelo qual, não podemos nos acomodar com um Espiritismo "à moda brasileira" , ou seja, um Espiritismo umbandizado, catoliquizado, irracional, místico e mistificado por desajustados centros “espíritas” que insistem por difundir as ingênuas fábulas da carochinha...

    8 de nov de 2017

    Quantos espíritas há no Brasil ? (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    Será que o espírita é somente aquele que está vinculado a uma instituição espírita, ou ao movimento espírita? Para Kardec, não! Observemos o que ele diz na Introdução ao estudo do Espiritismo, contido em O Livro dos Espíritos - “para se nomearem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida." [1]
    Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em face disso, ao invés de usar as palavras espiritual, espiritualismo, Kardec empregou os termos espírita e espiritismo para indicar a Codificação. Ora, a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com dos Espíritos.
    Como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão porque traz no cabeçalho da 1ª. Edição, de 1857, no seu título as palavras: Filosofia espiritualista.
    Notemos uma curiosa afirmativa do Codificador, quando diz que do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras, independentes de qualquer culto particular. Seu objetivo é provar, aos que negam ou duvidam, que a alma existe, que sobrevive ao corpo e experimenta após a morte as conseqüências do bem ou do mal que tenha feito durante a vida corporal. Ora, isto é de todas as religiões.
    Os adeptos do Espiritismo são os espíritas, ou os espiritistas. Mas Kardec acrescenta que como crença nos Espíritos, o Espiritismo é igualmente de todas as religiões, assim como é de todos os povos, visto que, onde quer que haja homens, há almas ou Espíritos; que as manifestações são de todos os tempos, achando-se seus relatos em todas as religiões, sem exceção.
    Por essa razão, Kardec afiança que pode-se ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e crer nas manifestações dos Espíritos; por conseguinte, ser espírita. A prova disso é que o Espiritismo tem aderentes em todas as religiões. [2]
    Não há como negar que há muitos confrades que jazem dentro da Igreja romana, são os espiritólicos, ou seja, são os católicos espíritas (porque aceitam as comunicações dos Espíritos). É verdade! Muitos dizem que são espíritas, mas não conseguem desapegar da igreja; outros não desapegam dos terreiros. Se se sentem bem aí, que fiquem aí. Não temos nada contra, mas só não podem trazer suas crenças para as hostes espiritas. Óbvio que não podem fazer um Espiritismo à moda do catolicismo, da umbanda etc.,  pois seria uma inversão dos objetivos e significados da Doutrina dos Espíritos.
    Considerando as ponderações de Kardec aqui demonstradas, basta um adepto de qualquer seita ou religião aceitar a comunicação dos espíritos para ser considerado espírita, logo, sob esse ponto de vista, podemos acrescentar dezenas de milhões de espíritas no Brasil. Em face disso, naturalmente há um número de espíritas que vai muito além dos declarados pelo último censo do IBGE.
    Concordam comigo?
    Matutemos, pois!

    Referências bibliográficas:
    [1]     KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, Introdução ao estudo do Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 2002
    [2]     KARDEC, Allan. O Espiritismo em sua mais simples expressão, RJ: Ed. FEB,  1992


    29 de out de 2017

    Angústia, consciência e reencarnação

    Angústia, consciência e reencarnação


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com


      O vocábulo angústia advém do latim angustia e significa estreiteza, espaço reduzido, carência, falta. Medo vago ou indeterminado, sem objeto real ou atual. É um temor intempestivo e invasor que nos sufoca (angere, em latim, significa apertar, estrangular) ou nos submerge.

    Na filosofia existencialista, a palavra "angústia" tomou sentido de "inquietação metafísica" em meio aos tormentos pessoais do homem. No conceito sartreano, “é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade (…) na angústia que a liberdade está em seu ser colocando-se a si mesmo em questão”.[1]

    Os materialistas sem norte acreditam que o ser humano é um ser imperfeito, aberto e inacabado. Segundo Heidegger, “a angústia é uma característica fundamental da existência humana. Quando o homem desperta para a consciência da vida, percebe que ela não tem sentido ou uma finalidade”. [2]

    Afastando-nos desse materialismo decrépito, compreendemos que pelo princípio da reencarnação as raízes intensas da angústia frequentemente encontram-se entrelaçadas no curso de vidas passadas, construídas na culpa do Espírito, que reconhece o erro e receia ser descoberto. Portanto, é um estado mórbido que deve ser combatido na sua causalidade.

    Por essa razão, a origem da angústia depressiva tem seu suporte no perispírito, e a rigor não tem raízes de causa na estrutura carnal. O corpo físico tão-somente reflete o estado da mente. O conflito do enfermo remonta a causas passadas, possivelmente remotas, com reverberação no presente através do psicossoma.

    Certificamos que as mortes prematuras traumáticas (acidentes, suicídios, homicídios) naqueles que possuem grande reserva de fluido vital, impõem fortes impressões e impactos vibratórios na complexa estrutura psicossomática, formando no espírito um clichê mental possante no momento da morte.

    Na reencarnação seguinte desse espírito, o amortecimento biológico do corpo carnal pode não ser suficiente para neutralizar os traumas registrados, em formas de flashes, dos derradeiros momentos da vida anterior. Essa distonia vibratória tende a reaparecer, guardando identidade cronológica entre as reencarnações. Os flashes impressionam os neurônios sensitivos do SNC (sistema nervoso central) e estes desencadeiam os angustiantes sintomas psíquicos via neurotransmissores cerebrais.

    Obviamente o uso dos fármacos pode estabelecer a harmonia química cerebral, melhorando o humor de tais espíritos; no entanto, cuidam simplesmente do efeito, pois os medicamentos não curam a angústia depressiva em suas intrínsecas causas; apenas restabelecem o trânsito físico das mensagens neuroniais, melhorando o funcionamento neuroquímico do SNC.

    Se os médicos muitas vezes são malsucedidos, tratando da maior parte das doenças fisiopsíquicas, é que tratam apenas do corpo biológico, sem acercarem-se dos traumatismos que os doentes apresentam na alma edificados em vidas anteriores.

    Jesus nos enviou como legado um dos maiores tratados de psicologia da História: a Codificação Espírita, cujos preceitos traz à memória humana a certeza de que apesar das chibatas visivelmente destruidoras da angústia, o homem precisa conservar-se de pé, denodadamente, marchando firme ao encontro dos supremos objetivos da vida, enfrentando os obstáculos como um instrumental necessário que Deus envia a todos nós.

     

    Referência bibliográficas:

    [1]SARTRE, J. P. O Ser e o Nada: Ensaio de ontologia fenomenológica, trad. Paulo Perdigão Petrópolis: Vozes, 2002.
    [2] CHAUÍ, Marilena. Heidegger, vida e obra.  In: Prefácio.  Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

    16 de out de 2017

    Abrigar e conviver com todos (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    O conceito de “minorias sociais” é usado de forma genérica para fazer menção a grupos sociais diferenciados por suas características étnicas, religiosas, cor de pele, país de origem, situação econômica, entre outros. Tais grupos estão associadas a condições sociais mais frágeis, razão pela qual sofrem discriminação e têm sido vítimas de extremas intolerâncias da chamada (maioria “normal”). 

    Não obstante haver no Brasil normas jurídicas que visam punir tal intransigência, mormente advindas dos grupos religiosos, é inadmissível qualquer intolerância no reduto espírita. A nossa Carta Magna assegura a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. 

    Prevendo ainda que toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Apesar da lei, há grupos, e aqui destacamos os grupos religiosos, promovendo o discurso do ódio, da violência, da discriminação contra os grupos LGBT, idosos, favelados, portadores de necessidades especiais, moradores de rua (quase sempre “invisíveis” aos olhos da sociedade, negros, indígenas, imigrantes e até mesmo contra as mulheres. 

    A Doutrina dos Espíritos entra no debate para reconhecer que uma civilização “normal” só é completa pelo seu desenvolvimento moral. Em face disso, os Benfeitores expuseram a Kardec: “Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções;... Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos (...).”[1], Portanto, à medida que a sociedade se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão com o progresso moral. 

    Referência bibliográfica: 

    [1] KARDEC, Allan. O Livros dos Espíritos, per. 793, RJ: Ed. FEB, 2000

    Espírita!“Não desista jamais” (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o “impossível”. No ancião, por exemplo, a constância da curiosidade de espírito e da abertura ao mundo é um sinal de juventude duradoura. A conquista está na persistência daqueles que lutam por aquilo que vale a pena como ideal. Lutar é persistir e a perseverança é o caminho do êxito, por isso mesmo realiza o improvável.

    O evangelista Mateus regista no cap. 24 versículo 13 - "quem perseverar até o fim este será salvo". Ora, com Jesus no coração, diante de uma realidade desafiadora a nossa coragem não pode somente significar ausência do medo, mas a firme pertinácia apesar do receio. Sim! A vitalidade, a energia, o vigor, o trabalho são confirmados não apenas pela tenacidade, mas pela capacidade da perseverança e recomeço.

    A perseverança e a determinação são, por si sós, onipotentes. O aforismo “não desista jamais” socorreu e sempre salvará o homem da desesperança. E quando estamos sob inflexível indecisão, conseguiremos superá-la se em tais circunstâncias formos perseverantes, recatados e despidos de arrogância.

    Desistência tem sido a escolha de muitos em face da incômoda realidade que os fracassos e perdas lhes infligem, fazendo-os interromper ou recuar. Contudo, em cada um de nós existe pelo menos um resquício de esperança, que é capaz de nos transportar para a dimensão das possibilidades, nos fazendo acreditar numa iminente virada e o alcance do triunfo.

    Nossos sonhos precisam de persistência e coragem para serem realizados. Nós os regamos com nossos erros, fragilidades e dificuldades. Quando lutamos por eles, nem sempre as pessoas que nos rodeiam nos apoiam e nos compreendem. Às vezes somos obrigados a tomar atitudes solitárias, tendo como companheiros apenas nossos próprios sonhos.

    Há um mistério para a perseverança? Por que nos abalamos nalgumas ocasiões da vida e noutras não? A persistência poderia ser caracterizada pelo susto da alma, todas as vezes que é obrigada a mergulhar dentro de si mesma. Qual será o rumo da melhor direção, diante dos empecilhos, dos calhaus que encontramos em nosso caminho? Abdicarmos do objetivo, optar por outra situação mais fácil, ou perseverar em nossos planos, ainda mesmo que por longo tempo e árduas experiências que nos levem a prantear muitas vezes?

    Quem persiste sempre alcançará resultados e satisfações. Os grandes homens da história suportaram problemas por anos a fio, até conseguirem a concretização dos seus desígnios que fizeram deles vitoriosos.

    Persistência é a irmã gêmea da excelência. Uma é a mãe da qualidade, a outra é a mãe do tempo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis. E ademais, a nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.

    Quando a Providência coloca pedregulhos em nossa caminhada, não o faz para esfolar-nos os pés, porém para aprovisionar material para a edificação da base de nossa conquista. O sucesso jamais poderá descansar na fragilidade das facilidades. As árvores são fortes porque enfrentam os desafios da natureza, e fincam suas raízes com vigor, na conquista dos elementos vitais. Com isso resistem a intensas ventanias.


    O “dia dos mortos” igualmente deve ser um dia de reverência à vida (Jorge Hessen)

    O “dia dos mortos” igualmente deve ser um dia de reverência à vida (Jorge Hessen)

    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    A historiografia tradicional da Igreja romana registra que foi no Mosteiro beneditino de Cluny, no sul da França, no ano de 998, que o Abade Odilon promovia a celebração do dia 2 de novembro, em memória dos mortos, dentro de uma perspectiva religiosa. Somente em 1311, a “memória dos falecidos” foi sancionada oficialmente em Roma e, posteriormente, em 1915, Bento XV universalizou tal comemoração, dentre os católicos, expandindo e consolidando a celebração até hoje.

    Todavia, ajuizemos o seguinte: a ostentação dos túmulos fúnebres determinada por familiares que desejam honrar a “memória do falecido” ainda compõe o cardápio da soberba e orgulho dos parentes, que intimamente propendem fundamentalmente “honrarem-se” a si mesmos. Nem sempre é pelo “finado” que fazem todas essas demonstrações, mas por soberba, por apreço às convenções mundanas e, às vezes, para exibição de abastança. Ora, é inútil o endinheirado aventurar-se em eternizar a sua memória por meio de aparatosos mausoléus.

    A comemorada visita ao túmulo, em massa, não significa que venha trazer satisfação ao "morto", até porque sabemos que uma prece feita em sua intenção vale muito mais. Provavelmente a visita ao túmulo seja uma maneira de demonstrar que se lembra do Espírito ausente, contudo é a oração que abençoa o ato de lembrar; pouco importa o lugar se a lembrança é determinada pelo coração.

    Conhecemos diversas pessoas que requerem, antes mesmo de desencarnarem, que sejam sepultadas em tal ou qual cemitério da elite. Essa atitude, sem sombra de dúvida, demonstra deficiência moral, até porque qual seria a importância de um pedaço de terra, mais do que outro, para o Espírito moralizado?

    O bom senso cochicha que faz sentido rememorar com alegria e não lastimar os que já partiram, até porque eles estão plenamente vivos noutras dimensões da vida. Realmente a ideia de falecidos é uma mistura de alegria e dor, de presença-ausência, de festa e saudade. Porém, aos que permanecemos na vida física, cabe-nos refletir e celebrar a existência com amor e ternura, para depois, no além, quiçá, não amargar no remorso. Aos que partiram enviemos nossa prece, nossa gratidão, nossa saudade, nosso carinho, nosso amor!


    Se formos capazes de orar, com quietude e confiança, modificando a nostalgia em esperança, notaremos a presença dos parentes e amigos desencarnados entre nós, envolvendo-nos em seus sentimentos de gratidão, alegria e paz. Por este motivo e por muitas outras razões, transformemos o “dia dos mortos” do tradicionalíssimo 2 de novembro em uma experiência de veneração à vida, lembrando afetuosamente os que nos precederam de retorno à pátria espiritual, e também festejando os que conosco ainda peregrinam pelos logradouros da vida terrena.

    13 de out de 2017

    O “Pacto Áureo”, um livro, uma estratégia, um arremedo doutrinário (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    O fustigado “Pacto “áureo” não DEBATIDO” foi uma agenda com dezoito itens, imposto pela FEB , sendo que no primeiro item constava: “Cabe aos espíritas do Brasil colocarem em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”.
    Dizem que os pactuantes temiam a CEPA que suprimira o Cristo dos seus cânones ideológicos. Há os que dizem que a adoção do livro Coração do Mundo Pátria do Evangelho, pode ter dois pretextos, o primeiro porque um grupo dos que discutiram a questão queria adotar “Os Quatro Evangelhos”, o segundo porque os “partidários” da CEPA (Confederação Espírita Pan-Americana ) não aceitavam e nem aceitam o Evangelho Segundo O Espiritismo, nesse caso ,portanto, o livro de Humberto de Campos estaria na linha de equilíbrio e colocava o Brasil uma posição central da expansão do Evangelho.
    Será mesmo? Foi isso que os levou a assinar sem discussão o famigerado pacto do qual Herculano Pires batizou de “bula papalina”? Ou será que o excesso de misticismo criara sentimento de culpa e os pactuantes passaram a admitir infalibilidade no presidente da FEB? Ou será que a presença autocrática de Wantuil (que foi uma espécie de “proprietário absoluto” da FEB) teria entorpecido a consciência dos signatários ? Ou será que careciam todos os pactuantes de maior amadurecimento doutrinário? Uma coisa, porém, temos certeza absoluta: se Herculano Pires, Deolindo Amorim, Júlio Abreu Filho tivessem participado da “encantada” reunião febiana de 1949, outro teria sido o rumo das definições doutrinárias para o Brasil.
    Pois é! Volvamos aos signatários do Pacto que concluíram sem melhor DEBATE e maturação de que o livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho continha dados atraentes e explanava qual seria a missão do Espiritismo no Brasil. Porém os pactuantes não se preocuparam com os detalhamentos ufanistas e controversos do livro, talvez aí o “X” da questão.
    Não levantamos este ponto para contestar os conteúdos originais da obra (os que não foram alterados por agentes externo ao texto legítimo). Infelizmente é difícil provar materialmente a interpolação porque a psicografia original (escrita e datilografada) foram incineradas pela FEB. Urge ressaltar aqui que apreciamos a literatura de Humberto de Campos (sem as diversas inserções febianas, é óbvio!), e tem mais, urge apartar bem as coisas, pois a ingênua entronização de Roustaing pelo suposto “autor espiritual” contraria o pensamento de Kardec contido no Cap. XV da obra A Gênese.
    O rustanismo conseguiu, graças a pouca discussão mais inteligente, ganhar adeptos entre os “místicos”. Se jamais os prepostos, e muito menos o seu líder, afirmaram que na obra de Roustaing estava o verdadeiro sentido da vida e doutrina de Jesus, também omitiram assertiva em contrário. Acreditavam, talvez, se tal fizessem, perderiam o tempo e apagariam a leve chama de uma fé doutrinariamente insipiente, que cumpre alimentar cuidadosamente. A obra de Roustaing concorreu e ainda concorre para dividir os espíritas (pelos menos dentro da própria sede da FEB na Av. L-2 norte de Brasília ou a cúria candanga) e criar dificuldades invencíveis à desejada harmonia de vistas.
    Como vemos, foi uma estratégia precipitada do suposto autor espiritual, a nosso ver, citar o emblemático João Batista Roustaing como “organizador” do trabalho da “fé espírita” ao lado de um Léon Denis, que efetuaria o desdobramento filosófico; de Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada científica e de Camille Flammarion, que abriria a cortina dos mundos. Óbvio que não houve critério mais acurado, segundo cremos.
    A questão é que o suposto “Humberto de Campos” evoca “as tradições do mundo espiritual”, conforme o próprio autor espiritual assevera na Introdução do livro “Brasil, coração do mundo…”. Obviamente esse argumento de “tradições de além” não esclarece, e sequer abona, as ingerências da obra. E isso fica claro se compararmos o livro “Brasil, coração.do mundo…” com “Crônicas de Além-Túmulo” e “Boa Nova” de autoria do mesmo Espírito, nos quais Humberto de Campos utiliza de algumas informações obtidas das chamadas “tradições do mundo espiritual”, mas sem cometer os vários lapsos presentes em “Brasil, Coração do Mundo…”. A propósito da obra “Crônicas de Além-Túmulo” no capítulo 21 intitulado “O Grande Missionário” , publicado antes de “Brasil, coração.do mundo…”, são citados como colaboradores de Allan Kardec somente os missionários Camille Flammarion, Léon Denis e Gabriel Delanne, sem nenhuma menção a Roustaing. Isso indica uma interpolação febiana muito ingênua na obra “Brasil Coração do Mundo…”
    Tornemos ao tal “pacto áureo”. Na cláusula segunda do “Acordo do Rio de Janeiro” ficou decidido que a FEB criaria um Conselho Federativo Nacional permanente, com a finalidade de executar, desenvolver e ampliar os planos da sua Organização Federativa. Com efeito, em janeiro do ano seguinte instalou-se o Conselho Federativo Nacional (CFN), congregando os representantes das Federações Espíritas Estaduais signatárias com o objetivo de promover e trabalhar pela “união” dos espíritas e pela “unificação” do Movimento Espírita.
    Em verdade, com a instalação do Conselho Federativo Nacional na FEB houve a primeira eclosão dos instintos vaticanistas. O CFN começou a baixar bulas papalinas sobre questões doutrinárias, a conceder licenças para realização de concentrações e congressos e a negar aos jovens o direito de deliberar em seus movimentos, etc.
    Para a tentativa de “união” dos espíritas , durante a década de 1950, houve um trabalho de convencimento junto às entidades espíritas sobre a importância e as diretrizes da tarefa de organização e unificação do movimento espírita brasileiro. A tarefa coube ser realizada, principalmente, pela chamada “Caravana da Fraternidade”.
    Em 31 de janeiro de 1950, o grupo “fraternista” partiu do Rio de Janeiro com destino a Salvador, e depois a todas as capitais dos 11 Estados do Nordeste e Norte do país. Dentre os planos da missão estavam as finalidades da maior “aproximação dos espiritistas”, visando o ideal da “unificação social” da Doutrina, da divulgação cultural do Espiritismo na sociedade laica e estímulo às obras de assistência social.
    Entretanto, a rigor, o Conselho Federativo Nacional, como vimos alcunhado de “pacto áureo”, que, a bem da verdade , não passou e não passa de um bucólico e inexpressivo departamento da Federação Espírita Brasileira, sem maior significância, sem poderes sequer de compor o “conselho superior” da cúria candanga, sem autorização para eleger o próprio presidente da autoproclamada “casa mãe”. Coisa de brasileiro mesmo! Hoje a burocrática reunião do CFN só serve para cansativas leituras de relatórios de atividades executadas nas regiões além , é claro, para as tradicionais palestras do nonagenário Divaldo Franco, sempre culminando com o “ente” “Bezerra de Menezes” psicofonado.
    Os espíritas estão unidos? Dez anos após o infligido “Pacto” foram realizados Simpósios Regionais e alguns congressos para endinheirados , na tentativa de “união” e “unificação” do Movimento Espírita Brasileiro. Atualmente o CFN reúne-se ordinariamente uma vez por ano na sede da “basílica” da FEB em Brasília, durante três dias, para tratar de assuntos burocráticos (leituras fadigosas de relatórios de atividades regionais). Não há como deixar de reconhecer que infligido pacto com a FEB, as federativas submeteram-se ao Conselho Federativo Nacional e através dele a fantasmagórica “casa mãe” começou a baixar bulas papalinas sobre a Doutrina e decretos cardinalícios sobre a organização do M.E.B.
    No princípio do processo “unificacionista” houve atritos sérios da FEB com Federações estaduais, contudo o pacto continua em vigor. Um contra-senso evidente. O movimento livre das federativas entregou-se à FEB, retornou ao jugo da carne, segundo expressão do apóstolo Paulo aos hebreus (cristãos judaizantes). As estruturas abalaram e as antigas federativas suicidavam-se num pacto imposto, entregando-se atualmente aos rabinos do templo candango, ou se desejarem, entregando-se aos bispos da cúria brasiliense.
    A vaidade humana e a generalizada ignorância da verdadeira estrutura filosófica da doutrina alimentam sem cessar essas dissidências em gestação. Precisamos, por isso mesmo, estabelecer as linhas do pensamento doutrinário sempre de maneira bem clara, alertando os que realmente desejam ser espíritas, contra os atalhos do caminho.
    O que se observa no Movimento Espírita no Brasil é um sistema federativo unilateral da FEB se impondo como a poderosa instituição possuidora da maior chancela doutrinária e procurando atuar no campo espírita como porta-voz “autorizada” (por Jesus ? por Kardec ? por Humberto de Campos ?). 
    Em virtude desse grave equívoco histórico e daqueles que são contrários a atual situação quando todos se curvam à “supremacia” febiana, é que indagamos , até quando será imposta a hegemonia febiana no Brasil? Precisamos de fraternidade, solidariedade, trabalho e tolerância e não de sujeição passiva a pretensas autoridades doutrinárias que se arrogam o direito de dirigir o movimento espírita brasileiro.
    É justo informar que salvo engano todas ou quase todas as Entidades que, direta ou indiretamente integram o CFN (Entidades Federativas Estaduais, Entidades Especializadas de Âmbito Nacional, Centros e demais Sociedades Espíritas), não adotam as obras de Roustaing, embora mantêm a sua “autonomia vigiada”, independência restrita e liberdade de (re) ação,  ( meno male– menos mal).

    18 de set de 2017

    “Armar” a população é inútil; “Amar” o povo - eis o caminho da paz (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen

    Com a proclamação da República em 1889, seguindo-se a promulgação da Constituição de 1891, o Brasil adotou um modelo presidencialista de democracia representativa por meio de sufrágio direto. O Ato Institucional Número Um e a subsequente Constituição de 1967 determinavam a instituição de eleições presidenciais indiretas, realizadas por meio de um colégio eleitoral, modelo que se seguiu até a promulgação pela Constituição de 1988, que restabeleceu o voto direto, secreto e universal, e possibilita uma participação popular maior que todos os pleitos anteriores.

    Dos 30 pleitos para presidente, 22 foram realizados de forma direta e 8 de forma indireta, tendo havido apenas uma eleição extraordinária, em 1919. No contexto, apenas 4 eleições foram vencidas pela chamada “oposição” (1960, 1985, 1989 e 2002), sendo três diretas e uma indireta. Em 2018 haverá nova eleição direta para presidente do Brasil. Razões temos de sobra para permanecermos atentos sobre nosso intuito de voto a respeito de quem indicaremos para dirigir o país. Os espíritas não poderão ficar alheios ao próximo pleito.

    Esquivando um pouquinho da introdução aqui lembrada, na verdade, hoje observamos um quadro político moralmente pervertido, em face dos inimagináveis desvios do erário público. Um famoso procurador da república afirmou que o Brasil é governado por “larápios egoístas e escroques ousados”. Raríssimos parlamentares escapam da corrupção. Por outro lado, e como se não bastasse, confessamos que é com muita inquietação que acompanhamos a crescente popularidade de certo “pré-candidato” que, não obstante, permaneça fora da curva dos corrompidos, todavia tem anunciado o armamento da população, visando a conquista de votos.

    Tal discurso é extremamente preocupante. Não duvidamos da honestidade de tal candidato, contudo, suas promessas de governo têm sido aterradoras, conquanto possa estar imbuído de boas intenções, e até mesmo arregimentar a seu favor honestos cidadãos brasileiros. Entretanto, cremos que o seu discurso “messiânico” para transformação social sob o látego do revide, da animosidade, da retaliação é cabalmente desfavorável à paz social.

    Asseguramos isso com base no resultado do plebiscito sobre o desarmamento de 2005, em que mais de 60% do povo brasileiro optou pelo comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Portanto, a maioria da população apoiou o armamento do cidadão, quando detinha o poder de decidir pela sua interdição. À época, muitos setores da sociedade defenderam a manutenção do comércio legal das armas aos cidadãos que delas necessitem, por algum motivo, justificando que todos têm direito a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc.

    Ante a Lei de Ação e Reação, obviamente, com essa decisão brotou um espantoso débito moral (“carma”) dos brasileiros. E isso é lamentável!

    Há vários anos André Luiz tem advertido aos espíritas segundo consta no livro Conduta Espírita, cap. 18 - “Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.”

    Cremos que a criminalidade tem as suas raízes, dentre outras, na desigualdade social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, destacadamente, no descrédito à classe política mísera e comprovadamente corrupta e na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem de forma decisiva para o avanço do tráfico de drogas, dos assaltos, dos roubos, dos sequestros e, por fim, dos homicídios.

    É constrangedor saber que o país onde há milhares de centros espíritas, lidere a lista mundial em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo. E, por forte razão, senhor pré-candidato, cremos ser falsa a segurança oferecida pelas armas mormente no ambiente doméstico, considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida doméstica.

    De modo óbvio, não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Sabemos que a arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos, e isso só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.

    Muitos vivem sob o guante da síndrome das balas perdidas. Cremos ser o investimento de recursos em armamentos inútil, perigoso e desnecessário. As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são aceitáveis e compreensíveis, mas muito melhor será quando os homens amarem-se ao invés de armarem-se e fazerem ao outro o que desejariam que lhes fizessem, pelo menos respeitarem seus direitos, sobretudo o mais fundamental, como o direito à vida e nesse contexto o ensinamento espírita em seu esboço filosófico e religioso (ético-moral) é o instrumento por excelência decisivo para transformação social.

    13 de set de 2017

    Os sucessivos intervalos no desenvolvimento do Espiritismo


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    Anotamos aqui os sucessivos intervalos da macro programação do projeto da Terceira Revelação na Terra, conforme publicado na Revista Espírita do mês de dezembro de 1863.  Alude-se sobre a primeira fase teria sido o da curiosidade , que podemos identificar no marco inicial do “moderno espiritualismo americano”, a partir de 1848, em Hydesville, no Estado de Nova Iorque, na residência dos Fox. Aí os fenômenos curiosos deram início ao surto de uma grande invasão psíquica organizada que se propagou por toda a Terra. Constituindo-se na França de então, uma verdadeira coqueluche na sociedade parisiense - as mesas girantes.

    lance seguinte foi o filosófico em razão da publicação de O Livro dos Espíritos. Como todas as ideias novas, o livro teve adversários tanto mais obstinados quanto maior era a ideia, porque nenhuma ideia grande pode estabelecer-se sem ferir interesses, daí ocorrer a terceira fase como a “ocasião da luta”. Para Kardec o Espiritismo se tornaria crença geral e marcaria nova era na história da humanidade, porque está na Natureza e chegou o tempo em que ocuparia lugar entre os conhecimentos humanos. Teria, por isso mesmo, que sustentar grandes lutas. Nesta etapa identificamos o Auto de fé em Barcelona, envolvendo a queima de livros encomendados por Maurice Lachâtre, por ordem de autoridade eclesiástica (1861). Daí para a frente, o clero inseriu os livros de Kardec no Index Prohibitorum e abriu campanha contra o Espiritismo.

    Para  Kardec a etapa das lutas determinaria uma nova fase do Espiritismo e levaria ao quarto período, ou designadamente o período religioso. Nesta fase entronizamos o lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo. No Brasil, sem prejuízo dos demais aspectos da Doutrina, é inegável a inclinação religiosa da imensa maioria dos adeptos pelas consolações que o Evangelho Segundo o Espiritismo proporciona, dando à Fé uma nova dimensão, conciliando-a com a Razão. É o Cristianismo, como expressão atualizada da Mensagem Eterna do Mestre, revivida no Consolador.

    Depois viria o  quinto período ou etapa intermediária, consequência natural do período religioso, e que mais tarde receberia sua denominação característica e que deverá levar o homem a um novo passo no conhecimento de si mesmo e do chamado mundo invisível, a evidenciar para materialistas e negativistas o princípio fundamental em torno do qual gira o nosso destino: Deus e a Imortalidade da alma.

    Neste contexto, recordamos que ao tempo do Codificador os debates filosóficos e teológicos dedilhavam o mundo material e o mundo espiritual, mormente a ciência ainda não havia avançado o suficiente como nos tempos atuais. Hoje falamos de um outro mundo,  o “mundo virtual” com uma ciência voltada para o domínio do espectro do eletromagnetismo com a Tecnologia da Informação Cibernética , que possibilita ao homem a comunicação entre si com a velocidade do pensamento em qualquer ponto do planeta. Assim, poderíamos chamá-lo de o período virtual (da Tecnologia) que corroboraria com  o viés científico da Doutrina.


    sexto e derradeiro período seria o da regeneração social, que deverá abrir  a era do espírito. Para o mestre lionês, nessa época, todos os obstáculos à nova ordem de coisas determinadas por Deus para a transformação da Terra terão desaparecidos. A geração que surgirá estará imbuída de ideias novas, estará em toda sua força e preparará o caminho da que há de inaugurar o triunfo definitivo da união, da paz e da fraternidade entre os homens, confundidos numa mesma crença, pela prática da lei de amor.  

    11 de set de 2017

    O Evangelho é e sempre será a ferramenta definitiva da paz (Jorge Hessen)



    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com


    As ameaças cruzadas entre Coreia do Norte e Estados Unidos têm como protagonistas lançamentos de mísseis norte-coreanos. Análises recentes sugerem que em 2020 a Coreia do Norte terá um míssil nuclear "confiável" que pode atingir solo norte-americano. Os analistas dentro do exército norte-americano já operam sob o pressuposto de que a Coreia do Norte tem a capacidade [ofensiva]. Em caso de lançamentos efetivos, serão colocadas à prova as capacidades de interceptação de tais artefatos na região com o potente escudo antimísseis Terminal High Altitude Area Defense (THAAD).

    O Japão tem advertido que derrubaria qualquer míssil norte-coreano que ameaçasse o seu território. Tanto Tóquio como Washington contam com um sistema de mísseis interceptadores. Mas a interceptação acontece na fase "terminal" do voo na região Ásia-Pacífico, incluindo Coreia do Sul, Japão e Guam e é pouco provável que as baterias instaladas na Coreia do Sul e no Japão sejam eficazes.

    Nesse tétrico cenário de guerras sabe-se que Donald Trump é apaixonado por elas, incluindo as armas nucleares. Tem prometido instituir leis e ordens “fortes”, “rápidas” e “justas”. Em verdade, nosso planeta jaz na UTI. Os governantes atuais permanecem moral e espiritualmente seriamente enfermos.

    Há milênios entronizamos o debate sobre a razão humana, e permanecemos na guerra da destruição quais irracionais; exaltamos as mais elevadas demonstrações de inteligência, porém engendramos todo o conhecimento para os impiedosos massacres humanos. Em 2016 a Rússia mostrou um novo míssil nuclear que supostamente poderia devastar uma área do tamanho do estado do Texas, nos Estados Unidos.

    No início de outubro de 2016, 40 milhões de cidadãos russos participaram do maior “teste” nuclear desde o fim da Guerra Fria, usando máscaras de gás e se preparando para fugir para bunkers. As tensões entre a Rússia e os Estados Unidos têm se mantido altas desde que os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções econômicas ao país devido às ações da Rússia na Ucrânia em 2014.

    O General Richard Shirreff, comandante supremo da OTAN na Europa entre 2011 e 2014, descreveu a guerra nuclear com a Rússia em 2017 como algo “inteiramente plausível”. Cristina Varriale, do Royal United Service Institute (RUSI), disse ao The Sun que Putin está “pronto” para colocar as forças nucleares russas em alerta.

    Não desejando ser pessimista, porém na qualidade de historiador, não posso deixar de refletir que há menos de 100 anos o mundo experimentou duas guerras devastadoras. Mas reflitamos sobre o seguinte: qual a base lógica que justifica uma guerra? Os Espíritos admoestam que a guerra é a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões.

    Combates militares existem há mais de 5 mil anos, desde os primitivos embates entre os Mesopotâmios, entre gregos e persas, entre Atenas e Esparta, entre Roma e Cartago. O Século XX foi o século mais sangrento de todos. Após a Segunda Guerra Mundial já ocorreram centenas conflitos bélicos, resultando em mais de 40 milhões de mortos. Se contabilizarmos os resultados dessas paixões primitivas desde 1914, estes números sobem para 401 guerras e aproximadamente duzentos milhões de mortos, numa projeção bem superficial.

    Ainda amargamos os disparates de uma soberaníssima tecnologia no campo bélico, do avanço da informática, do mapeamento dos genomas, das excursões espaciais, dos voos supersônicos, das maravilhas dos raios laser, ainda sobrevivemos com o massacre da dengue hemorrágica, com a chacina da febre amarela, com o desafio da tuberculose, com a provocação da AIDS e com todas as escandalosas invasões das drogas (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack etc.).


    Nesse funesto e real cenário planetário, a nossa esperança é a prática da mensagem do Cristo, que decididamente foi, é e sempre será o instrumento de pacificação entre os homens, sendo portanto o mais diligente convite contra a guerra e definitivamente o grande fanal para a redenção humana.

    26 de ago de 2017

    Eu não sou mais espírita! “Ex-espírita” será imaginável? (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen

    Há poucos dias, um reconhecido divulgador do Espiritismo, utilizou-se das redes sociais para confessar que “não era mais espírita”. Ouvimos suas razões pelo “you tube” e percebemos a sua ingenuidade, motivo pelo qual deliberamos comentar seu ato.  Todavia, antes de explanar sobre a deserção do propagandista insurgente e “ex-espírita”, asseguramos que não existe no dicionário kardequiano o termo  “ex-espírita”. Até porque, uma vez ESPÍRITA, jamais serão desintegrados os ensinos revelados pelos Espíritos aos que foram racionalmente abrangidos. Portanto, os que se assumem “ex-espíritas” jamais foram ESPÍRITAS.

    Em Obras Póstumas encontramos o artigo “Desertores”, nele aprendemos que “entre os ESPÍRITAS convictos, não há deserções, na lídima acepção do termo, visto como aquele que desertasse por motivo de interesse ou qualquer outro, nunca teria sido sinceramente ESPÍRITA; pode, entretanto, haver desânimos. Pode dar-se que a coragem e a perseverança fraqueiem diante de uma decepção, de uma ambição frustrada, de uma preeminência não alcançada, de uma ferida no amor-próprio, de uma prova difícil.”[1]

    Se   alguns “ex-espíritas” desertaram, aniquilando o ideal, admitindo extinguir a chama da Doutrina dos Espíritos sob qualquer pretexto, segundo as contingências históricas, podemos afiançar-lhes que o Espiritismo permanecerá despontando sucessivamente por meio de diversos instrumentos de desenvolvimento e expansão. Isto quer dizer que o Espiritismo prosseguirá sempre, conquanto alguns, às vezes, abandonem a luta ou retrocedam, devido às conveniências particularíssimas.

    Digam o que disserem, ou façam o que fizerem ninguém será capaz de privar o Espiritismo do seu caráter revelador, da sua filosofia racional e lógica, da sua moral consoladora e regeneradora. Qualquer oposição é impotente contra a evidência, que inevitavelmente triunfa pela força mesma das coisas.

    Muitos antagonistas de Kardec acreditavam que o Espiritismo se extinguiria por causa dos “espíritas” que se envolviam em desordem, arrogância ou deserção, onde centros espíritas se esvaziavam ou até fechavam as suas portas, entretanto os Espíritos não ficaram imóveis ou ociosos, ao contrário, solucionaram de maneira objetiva, provocando novos fenômenos e fatos transcendentes, a fim de manterem desperta as mentes humanas sob a pujante luz do Consolador Prometido.

    É óbvio que alguém que verdadeiramente estuda e busca o aperfeiçoamento moral dentro dos ensinamentos do Espiritismo jamais (nunca mesmo!) será mental , intelectual e sentimentalmente   a mesma pessoa. O Espiritismo não impõe nada, pelo contrário, expõe!  Se é certo que todas as grandes ideias contam apóstolos fervorosos e dedicados, não menos certo é que mesmo as melhores dentre as ideias têm seus desertores. O Espiritismo não podia escapar aos efeitos da fraqueza humana. 

    Alguns “ex-espíritas” por algum tempo pregaram a união, semeando a separação; habilmente levantaram questões importunas e ferinas; despertaram o despeito da preponderância entre os diferentes grupos. Em verdade,  todas as doutrinas têm tido seu Judas; o Espiritismo não poderia deixar de ter os seus e eles ainda não lhe faltaram. Kardec chamava-os de “espíritas de contrabando”, mas que também foram de alguma utilidade: ensinaram ao verdadeiro ESPÍRITA a ser prudente circunspeto e a não se fiar nas aparências. Sem dúvida, podem os tais “ex-espíritas” terem sido crentes, mas, sem contestação, foram crentes egoístas, nos quais a fé racional não ateou o fogo sagrado do devotamento e da abnegação.

    Aos que que lutam com coragem e perseverança cujo devotamento é sincero e sem ideias preconcebidas os Bons Espíritos protegem manifestamente. É verdade! Os Bons Espíritos ajudam-nos a vencer os obstáculos e suavizam as provas que não possamos evitar-lhes, ao passo que, não menos manifestamente, abandonam os que desertam e sacrificam a causa da verdade às suas ambições pessoais e mesquinhas.

    Quem sabe possamos também chamar de desertores os que pregam virtudes religiosas e sociais, acolhendo-se em trincheiras de usura, os que levantam casas de socorro, desviando recursos que deveriam ser aplicados para sanar as dores do próximo, as mães que, sem motivo, emudecem as trompas da vida no santuário do próprio corpo, embriagando-se de prazeres que vão estuar na loucura, os que passam as horas censurando atitudes de outrem, olvidando os deveres que lhes competem os que condenam e amaldiçoam, ao invés de compreender e abençoar, os que perderam a simplicidade e precisam de uma torre de marfim para viver.

    Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual. Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa fortaleza e tranquilidade, de modo a fugirmos do profundo poço da irrealização pessoal.

    Referência bibliográfica:
    [1] KARDEC, Allan. Obras Póstumas, Os desertores, RJ: Ed FEB, 2001

    16 de ago de 2017

    As bebidas alcoólicas são tóxicos fatais (Jorge Hessen)





    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    No Brasil , a Lei Federal 9.294, de 1996 , estabelece restrições” à propaganda de álcool, todavia, o parágrafo único da lei é obscena, notemos:  "Consideram-se bebidas alcoólicas, para efeitos desta Lei, as bebidas potáveis com teor alcoólico superior a treze graus Gay Lussac". Logicamente, ficam excluídas das “proibições” as cervejinhas televisivas. Eis aí a vitória da indústria etílica com direito a “palma de ouro”.
    Em verdade, mais da metade dos brasileiros afunda-se moralmente na farra dos metafóricos “treze graus Gay Lussac” de teor alcoólico. Portanto, como obra prima das “trevas”, a cerveja, que em tese possui um teor alcoólico até o limite de  treze graus Gay Lussac , por não sofrer restrições publicitárias no Brasil,  é liberada para todos , trafegando, de tal modo,  em altíssima velocidade  na contramão da legislação de trânsito que estabelece uma tolerância baixíssima com o álcool. Nessa gerigonça vão os adolescentes se expondo hoje muito mais ao álcool. Está se formando uma geração de dependência de álcool. Além dos riscos à saúde, há os perigos de dirigir embriagado, da violência e de traumatismos decorrentes do abuso de álcool.
    Através das propagandas apelativas, hipnotizantes, que custam bilhões de dólares, intoxica-se a estrutura mental dos adolescentes mais tolos. Dessa forma, os jovens agem sem padrões definidos de comportamento racional, projetam-se em uma perspectiva cada vez mais próxima da derrocada em busca do entorpecimento da consciência e da razão, justificado pelo prazer alucinado no mundo das bebidas, situação, essa, que promove um mergulho no “nada” para as fugas espetaculares da realidade.
    À maneira de um incêndio, que começa de uma fagulha e causa grande destruição, muitos adolescentes, a partir de um simples gole "inofensivo", precipitam-se nos escombros da miséria moral, transformando-se em uma pessoa vazia de ideais.
    É assombrosa a lavagem cerebral através das mídias veiculando reiteradamente o convite para o consumo de cervejas, em razão disso, o volume consumido no Brasil está acima da média mundial. Pela televisão “o gênio das trevas” aconselha, após trinta segundos de propaganda, em tão-somente um milésimo de segundos, o famoso “beba com moderação”.
    Ora, não se pode  aceitar passivamente  uma situação em que as autoridades de saúde passam uma mensagem de legalidade e possível  “moderação” ao mesmo tempo em que a indústria acena com uma publicidade maldita  e cara cujo conteúdo instiga e incentiva  o consumo da cerveja de modo avassalante.
    Para o espírita, o vício de beber tem implicações muito graves, especialmente em face das repetidas advertências dos Benfeitores Espirituais, elucidando sobre os danos que causam à mediunidade, por exemplo. O médium, contaminado pelos alcoólicos torna-se mira de obsessão dos indigentes alcoolistas do além. A obsessão, através da inofensiva cervejinha, é mais generalizada do que parece.
    Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de "status", atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.  A Doutrina Espírita adverte sobre essa influência espiritual, oculta, ou seja, o meio espiritual que respiramos pode contribuir para o surgimento de um determinado vício.  Não nos iludamos, o viciado em álcool quase sempre tem a seu lado obsessores extra físicos que o induzem à bebida, nele exercendo grande domínio e dele usufruindo as mesmas sensações etílicas.    
    Pais espíritas e, absolutamente, cônscios da responsabilidade que assumiram perante a família, não devem oferecer bebidas alcoólicas para seus filhos sob quaisquer pretextos. Ao contrário disso, devem envidar todos os esforços para afastá-los das festas regadas a álcool; essa, sim, é uma atitude sensata. Creio que haja suficiente razão para não estocarmos, em casa, as esplêndidas e suntuosas garrafas de bebidas alcoólicas, normalmente, conservadas em um “atraente” barzinho, pois, nelas, está acondicionado o tóxico fatal.

    7 de ago de 2017

    “Sim” ou “não”, eis a questão: (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    jorgehessen@gmail.com

    Na Tailândia não se costuma dizer “não”. Isso é evidente até mesmo nas palavras mais simples: "sim" é chai e o mais próximo a "não" que existe em tailandês é mai chai - que pode ser traduzido como "não-sim". Com uma cultura voltada para o coletivo, os tailandeses são ensinados a se preocupar mais com o grupo do que consigo mesmos. É uma sociedade altamente conservadora e tradicional, com uma tradição de que demonstrar prazer e emoção é controlada por normas sociais restritas. “Um tailandês sempre vai dizer ‘sim’ porque a etiqueta social determina que ele o faça." [1]

    Do mesmo modo, aqui no ocidente alimentamos o falso conceito que quem é bom nunca diz “não”. Contudo, a negativa salutar jamais perturba. O que despedaça é o tom contundente no qual é vazado o “não”! Proferir o “sim” ou dizer o “não” exige análise reflexiva e não deve nascer de um impulso ou estado de ânimo alterado ou inerte. É evidente que "tanto quanto o ‘sim’ deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o ‘não’ deve ser dito sem aspereza".[2]

    Há dois mil anos Jesus nos ensinou: “seja o vosso falar: sim, sim; não, não". [3] Tal princípio está contido em O Sermão do Monte, que constitui a base do código de ética do Evangelho. Sobre isso, adverte-nos Emmanuel: “o sim’ pode ser aprazível em muitas circunstâncias, entretanto o ‘não’, em alguns setores da luta humana, é mais construtivo". [4]

    Consentir que os outros decidam por nós é atitude de subserviência; não é humildade e muito menos tolerância e nem brandura. Notemos que a nossa vontade é tão importante quanto a vontade do nosso semelhante. Ora, os nossos anseios, sonhos e emoções têm o mesmo valor dos das outras pessoas. Não admitamos que determinem nossas aspirações, nossas ideias, nossas convicções religiosas, nossas rotinas, nossos modos de ser. Se não agirmos com coragem seremos domados na vontade, e o que é pior, seremos reprimidos nos próprios pensamentos.

    Sem ferirmos o próximo, e isso é mais do que óbvio, é imprescindível dizer o “não”. Precisamos ter o traquejo para dizer o “não” sempre que a situação nos convide a fazê-lo. Até porque, é impossível agradarmos as pessoas a todo instante. Cedermos aos desejos e vontades dos outros pode ser a forma mais fácil de relaxarmos o empenho de busca das nossas intransferíveis necessidades de crescimento espiritual. Em certas ocasiões quando dizemos “sim” para os outros, pagamos um preço elevado por isso.

    Nem sempre precisamos infligir nossa vontade, contudo não podemos deixar que os outros se imponham sobre nós. Não é ajuizado dizer “sim” quando devemos dizer “não”. Porém, por que às vezes quando temos que impor o “não, cedemos ao “sim”? Cada vez que contemporizamos com o “sim” quando a situação exige o “não”, estamos nos definhando na autoridade moral, nos desmerecendo; estamos enfim dando mais importância aos outros do que a nós mesmos.

    Na presunção de não magoarmos os outros, muitas vezes nos justificamos em demasia, como se estivéssemos rogando perdão por não podermos acorrer. Não carecemos de fazer isso! Não temos nenhuma necessidade de nos explicar em demasia e muito menos pedir desculpas pela nossa opção de negativa.

    Ora, se não estamos fazendo nada de censurável ao priorizarmos outros compromissos, não precisamos ficar explicando ou detalhando quais são essas prioridades. Em determinadas circunstâncias, as nossas opções por fazer ou deixar de fazer algo é uma questão de autoconsciência, portando não é da jurisdição de mais ninguém.

    Aprendamos a dizer “não”, ou seja, se não desejamos tal ou qual coisa, digamos “não”; se não concordamos com tal ou qual situação, pronunciemos “não’; se não almejamos compartilhar, falar ou adquirir algo, tão-somente digamos “não”.

    O bom senso nos sussurra que ao dizer “não” estamos apenas dando uma resposta negativa, e isso não é insulto. Cabe aqui uma dica cristã: que os nossos “nãos” sejam proferidos sem rompantes e nem severidades e ponto final.

    Referencias bibliográficas:

    [1]        Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-39450642 acessado em 01/08/2017
    [2]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977
    [3]        Mateus 5, 37

    [4]        XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso, ditado pelo Espírito Emmanuel, Cap. "O ‘não’ e a luta", RJ: Ed FEB, 1977